FOTO Diamante Energia Divulgação Notisul
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A Diamante Energia, responsável pelo Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, ampliou sua presença no setor elétrico nacional ao reunir sob seu controle as operações de Pecém I e Pecém II, no Ceará. A conclusão da transferência de Pecém II acrescenta 365 megawatts (MW) ao portfólio da companhia e reforça uma expansão iniciada fora de Santa Catarina em 2025.
A operação envolvendo Pecém II foi concluída nesta segunda-feira (31), após negociação anunciada em março. O valor empresarial da transação ficou em R$ 839,2 milhões. Desse montante, R$ 748,4 milhões foram pagos no fechamento. O contrato prevê ainda parcela contingente de até R$ 149 milhões, vinculada a condições previstas no acordo.
Para o Sul de Santa Catarina, o movimento chama atenção porque amplia a dimensão nacional de uma companhia cuja principal base operacional está historicamente ligada a Capivari de Baixo e à cadeia energética regional.
Expansão começou com a aquisição de Pecém I

A entrada da Diamante no Ceará ocorreu com a Energia Pecém, também conhecida como Pecém I. A aquisição integral foi concluída em julho de 2025. A termelétrica tem 720 MW de capacidade instalada e fica no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), em São Gonçalo do Amarante.
A aquisição envolveu participações que estavam nas mãos de investidores e da EDP. A companhia portuguesa negociou sua participação remanescente de 20% por R$ 200 milhões.
Agora, com Pecém II, outros 365 MW são incorporados à operação no Ceará. As instalações foram concebidas para funcionar de maneira integrada e compartilham parte da infraestrutura do complexo, incluindo estruturas relacionadas ao transporte de carvão a partir do porto.
Somadas, as operações cearenses chegam a 1.085 MW de capacidade instalada. A própria Diamante informa que, após a incorporação de Pecém II, sua capacidade instalada total alcança aproximadamente 1,82 GW.
A expansão também muda a escala geográfica da empresa. A Diamante, que iniciou sua trajetória operacional com um ativo concentrado no Sul catarinense, passa a administrar dois grandes polos de geração térmica no país.
Capivari de Baixo continua no centro das operações da Diamante
A expansão para o Nordeste ocorre sem retirar a importância do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda (CTJL), em Capivari de Baixo. O empreendimento tem 740 MW de capacidade instalada e sete grupos geradores distribuídos entre as unidades Jorge Lacerda A, B e C.
A Jorge Lacerda A possui 190 MW de capacidade atual. A Jorge Lacerda B responde por outros 220 MW, enquanto a Jorge Lacerda C possui 330 MW. Juntas, as unidades formam um dos principais ativos de geração térmica do Sul do país.
A Diamante assumiu o complexo catarinense em 2021. Em 2025, foi formalizado um Contrato de Energia de Reserva que assegura a continuidade da operação do CTJL até 2040.
A dimensão do empreendimento também se reflete na economia regional. A operação está diretamente relacionada à cadeia do carvão mineral no Sul catarinense e mantém trabalhadores próprios e terceirizados no complexo. Dados divulgados pela empresa indicam cerca de 350 funcionários diretos e mais de mil trabalhadores ligados às atividades do CTJL.
Assim, mesmo com o avanço no Ceará, Capivari de Baixo permanece como uma das bases centrais da estrutura de geração da Diamante Energia.
Geração térmica funciona como reserva para momentos críticos
A ampliação do portfólio ocorre em um período de mudanças no funcionamento do sistema elétrico brasileiro. Com o crescimento das fontes solar e eólica, aumenta também a necessidade de capacidade de geração que possa ser acionada para complementar a oferta em períodos de maior demanda ou menor disponibilidade de outras fontes.
Essa é a lógica dos leilões de reserva de capacidade. Diferentemente de uma contratação voltada apenas ao volume de energia produzido continuamente, esse mecanismo remunera empreendimentos pela disponibilidade de potência quando o sistema necessita.
No Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 foram contratados 19,47 GW de potência, envolvendo cerca de 100 empreendimentos. A finalidade é ampliar a disponibilidade de geração para períodos considerados críticos pelo sistema elétrico.
Pecém II possui contratos de venda de energia até 2028 e obteve novos contratos no leilão de 2026, com fornecimento previsto a partir de 2031 pelo período de dez anos.
O Complexo Jorge Lacerda também está inserido nessa lógica de geração de reserva. A contratação realizada em 2025 estabeleceu condições para a continuidade do empreendimento catarinense até 2040.
Na prática, térmicas como as de Capivari de Baixo e Pecém integram o conjunto de fontes despacháveis do sistema. Elas podem complementar fontes cuja produção depende das condições hidrológicas, do vento ou da incidência solar. Essa disponibilidade é um dos componentes da segurança energética, especialmente em períodos de maior consumo ou restrição de oferta.
Diamante passa a operar cerca de 1,82 GW no país
Com a consolidação das operações, a Diamante Energia passa de uma atuação concentrada no Complexo Jorge Lacerda para uma estrutura com dois polos relevantes de geração térmica.
Em Santa Catarina, são 740 MW instalados em Capivari de Baixo. No Ceará, Pecém I e II somam 1.085 MW. O conjunto leva o portfólio da companhia para aproximadamente 1,82 GW de capacidade instalada.
Em comunicado sobre a expansão, a companhia afirma que pretende integrar as equipes das novas unidades e manter investimentos em modernização, segurança operacional e sustentabilidade. A mensagem assinada pelo CEO Pedro Litsek também relaciona a expansão à contribuição da empresa para a segurança energética nacional.
A aquisição de Pecém II, portanto, representa mais do que a compra de uma nova usina. Ela consolida a transformação da Diamante em uma operadora de geração com presença no Sul e no Nordeste, enquanto Capivari de Baixo permanece como uma das bases estratégicas da companhia e da geração térmica brasileira.

