quarta-feira, 14 outubro , 2026

Discussão: Terra de agricultor é desapropriada

Wagner da Silva
Rio Fortuna

Mais uma vez a comunidade de Rio Bravo Baixo, em Rio Fortuna, voltou a ser o centro principal de discussão no município. Tudo em virtude do decreto da prefeitura que declara a área de utilidade pública e pede a desapropriação de terras de um dos moradores da localidade.

São pouco mais de 14 mil metros quadrados – do total de 56,6 mil -, pertencentes ao agricultor Adolfo Tenfen. A área seria utilizada como acesso ao cemitério da comunidade, que fica acima do imóvel, ao lado da SC- 407.

Segundo o prefeito Silvio Heidemann (PP), a decisão atende um pedido dos moradores da comunidade que, representados pelo Conselho de Assuntos Econômicos Paroquiais (Caep), entregaram um documento com aproximadamente 100 assinaturas. “Após a tentativa frustrada de acordo amigável, decidimos agir em conformidade com o interesse da maioria”, justifica o prefeito.

Ele explica que uma comissão, formada por Hilário Herdt, Itamar Feldhaus, Romírio Schueroff e Júnior Schmitz, deve avaliar o imóvel e emitir um laudo. “A indenização ao morador será paga pela prefeitura”, completa Silvio.

Chateado com a decisão do prefeito, seu Adolfo Tenfen diz que possui a documentação da compra da terra feita pelo seu pai, há aproximadamente 100 anos. “O lugar que querem é um morro, não há como fazer nada lá”, explica, indignado. O presidente do Caep, Romírio Schueroff, foi procurado para justificar os fatos, mas não foi localizado.

Vereadora diz que decreto é inválido

A ação do prefeito Silvio Heidemann (PP) foi criticada na última sessão da câmara de Rio Fortuna. A vereadora Leonete Schuelter (PMDB) afirma que a decisão de Silvio causa mau-estar na comunidade, já que o dono da terra demonstrou interesse em ceder espaços para melhorias na área.

“Por conhecer o morador e saber que sua família sempre participou do desenvolvimento da região, sou totalmente contra. Além disso, este grupo (Caep) alega que tentou resolver a situação de forma amigável, mas não foi isso que ocorreu. Esperávamos participar das discussões e fomos privados disso”, reclama a vereadora.
Para a presidenta da câmara, Arlete Bloemer (PT), o decreto para desapropriação é invalido.

“A comissão deveria ter avaliado o imóvel antes do decreto ser publicado. Esperamos uma solução pacifica, mas da forma como é conduzido, todos perderão. Além disso, esta decisão do prefeito abre um precendente para que outras comunidade reivindiquem a compra de áreas cedidas, o que gerará um mau-estar ainda maior”, argumenta a presidenta.

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