segunda-feira, 23 fevereiro , 2026

Dona Ruth

Na última segunda-feira, estaria completando 81 anos, se viva ainda fosse, a antropóloga e professora Ruth Correia Leite Cardoso, a Dona Ruth, que, apesar de não gostar de ser chamada de primeira-dama, com certeza foi a que mais mereceu e honrou esse título.
Sempre sóbria, discreta e avessa a homenagens, a doutora Ruth Cardoso deixou muitos exemplos e lições. Foi ela quem transformou as políticas sociais no Brasil nos oito anos em que esteve no poder ao lado do marido, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, seu companheiro por 55 anos.
Na década de 90, vários programas locais de combate à pobreza se espalharam pelo país. Pode-se dizer que a gênese desses programas deu-se em 1986 no Núcleo de Estudos do Brasil Contemporâneo, da Universidade de Brasília. Ainda como teoria, a idéia se consolidou e foi publicada num documento do Núcleo em 1987, de autoria do seu coordenador, Cristovam Buarque. Em 1994, eleito governador de Brasília, o próprio Cristovam Buarque implantou-o pioneiramente, sendo seguido pelo prefeito de Campinas, José Roberto Magalhães Teixeira, o Grama. Essas iniciativas localizadas culminaram com a criação do Bolsa Escola (embrião do atual Bolsa Família) como um programa nacional do governo brasileiro.

Segundo muitos, entre eles o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza, foi Ruth Cardoso quem persuadiu o então presidente Fernando Henrique a unificar todos os programas de transferência de renda e de combate à fome no país e adotar o sistema unificado em nível nacional. “A obsessão da Ruth era romper com o clientelismo”, dizia Paulo Renato.
Com o fim da Legião Brasileira de Assistência (LBA), um verdadeiro criadouro de escândalos e desvios de dinheiro público, foi criado o Comunidade Solidária, aonde Dona Ruth impôs suas convicções em defesa de um novo modelo de ação social, em parceria com a sociedade, e imprimiu estilo inovador, dentro de uma perspectiva emancipatória.
“Combater a pobreza não é transformar pessoas e comunidades em beneficiários passivos de programas sociais. Toda pessoa tem habilidades e dons. Toda comunidade tem recursos e ativos. Combater a pobreza é fortalecer capacidades e potencializar recursos”. Foi com base nisso que se concebeu o Comunidade Solidária, que significava deixar de lado o tradicional assistencialismo e tentar ensinar às pessoas a serem elas mesmas, com educação e com conhecimento do seu próprio potencial.

Pelo trabalho que tinha feito como pesquisadora e antropóloga, ela acreditava que havia uma rede de suporte ao desenvolvimento social já posta no Brasil, que eram as ONGs de base. E ela fez toda a diferença no fortalecimento dessas ONGs, não as grandes, inchadas e viciadas da década de 90, mas aquelas que lutavam pela qualidade de vida nos bairros e nas comunidades mais próximas.
A catarinense Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, dizia: “Ela fez de tudo para que o país tivesse programas oficiais que fossem capazes de diminuir desigualdades sociais”.
Sempre preocupada com o diálogo, em que a civilidade não se opunha à firmeza, seu trabalho e sua generosidade produziram resultados que mudaram o Brasil, fazendo dele um lugar melhor e mais justo para se viver.
Pouco antes de sua morte, ao participar de uma homenagem ao poeta Robert Frost, o presidente John Kennedy disse que uma nação se revela não apenas pelos indivíduos que produz, mas também por aqueles que decide homenagear. Pois o Brasil se revelou grande quando da morte de Dona Ruth, reservando-lhe tantas e tão justas homenagens.
Todos que a conheceram, como eu e Ivete, ficam felizes ao ver que sua memória permanece viva, contrapondo-se à vulgaridade da corrupção, do imediatismo e da mesquinharia política.

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