Clarice Roballo
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A vida é mesmo interessante, não é? Ou melhor dizendo: O ser humano é mesmo interessante. Somos complexos, não somente pelo estudo físico, nossas descobertas e evolução, mas pela nossa constante dualidade. Acho que essa é a palavra, embora ela também possa ser denominada escolha.
Em uma dessas noites, peguei-me em um sono agitado, um sonho confuso. Trilhava-me por um caminho contente e feliz. Porém, em instantes já estava em outro caminho, sendo esse um tanto confuso, que me faria abrir mão do caminho até então contente já trilhado. A todo o momento eu sabia da escolha errônea, no entanto a seguia. A frase que ecoava em meus pensamentos era: “ei, volte antes que não de mais tempo”, porém, no decorrer do sonho entendi que não fora uma escolha a troca do caminho, mas sim estaria sendo levada. Eis que consegui me desvencilhar do que me prendia e voltei à estrada, feliz. Então, despertei em meio à agitação e o sonho confuso, contudo, as sensações do adormecimento me acompanharam nos últimos dias, deixando-me pensativa.
Hoje, em meus devaneios matinais, como um estampido algumas analogias… e como não poderia ser diferente, a delícia do ser humano e suas complexidades.
Desde que nascemos, já iniciamos sob escolhas. Roupinha azul ou rosa? Mais adiante uma bola ou bicicleta? Ainda na adolescência o que por muitas vezes me tirou o sono, a temida faculdade. Que profissão seguir? Pós ou mestrado? Funcionalismo público ou empregos em empresas privadas? Empresário ou empregado? Solteirice ou namoro? E por aí vai…
Estamos sempre em uma bifurcação. E mesmo que façamos a escolha, algumas vezes pelo meio do caminho nos pegamos perguntando: mas e se eu tivesse escolhido diferente? Somos um poço de dualidades e escolhas que se tornam cada dia mais complexas e cheias de dúvidas, e por muitas vezes por simplesmente não entendermos a magnitude do que temos e das alegrias das nossas escolhas.
Ok, às vezes fizemos a escolha errada, e está tudo bem. Podemos trocar de estrada, de profissão, de faculdade, de tudo. Sabe aquela frase de Arthur R. Ashe Jr.: “Comece de onde você está. Use o que você tem. Faça o que você pode”. Ela ilustra isso.
Ao fim dos meus devaneios, o que quero dizer é que escolhas exigem renúncias. Não se deixe levar, escute a voz que ecoa em seus pensamentos e retome o caminho feliz. Porque quem vai caminhar é você. Mude, escolha, caminhe. Porém, nas escolhas feitas, não ande em círculos ou fique olhando para trás. Porque senão você simplesmente não escolhe, não sai do lugar e não faz nada.
Aprecie cada dualidade, reflita, escolha, delicie-se pelo caminho. Como diria uma grande amiga. Coragem!

