Falar de Santa Catarina é falar de suas regiões, cada uma com suas características específicas e isso se reflete na economia do estado. Quando falamos da região norte do estado, o setor da economia que mais se destaca é o metal-mecânico, com destaque para algumas empresas que compõem esse setor e que são as maiores no ramo no país.
Dois municípios são pioneiros e formam o maior polo eletro-metal-mecânico da Santa Catarina: Joinville e Jaraguá do Sul. É nas primeiras décadas do século 20 que surge a Fundição Tupy, com sede em Joinville, e que mais tarde se tornaria a maior fundição da América Latina e maior empresa no estado. Já a WEG, com sua empresa na cidade de Jaraguá do Sul, surge no começo da década de 60 e se torna uma das maiores fabricantes de motores no país e hoje é a maior empresa de nosso estado.
A cidade de Joinville é um celeiro de indústrias, principalmente no setor metal-mecânico. Isso tornou o município a mais populosa cidade do estado, fazendo dobrar sua população em apenas dez anos. A cidade recebeu um grande contingente de migração que procurava emprego, pois o país vivia um momento chamado “milagre econômico” e a partir daí se criou um ideário que a cidade crescia graças ao espírito trabalhador da população joinvilense e recebendo a denominação de “Manchester Catarinense”, em referência à cidade inglesa.
Mas nem sempre foi assim. Até 1950, a região de Joinville foi grande produtora de madeira e erva-mate, o que era base da economia. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os olhos se voltam para dentro da cidade, com o objetivo de consolidar as empresas que estavam nascendo e as que já estavam crescendo em ritmo de industrialização.
Toda essa industrialização começa a ganhar impulso quando se inicia a Segunda Guerra Mundial. Até então, a economia do Brasil era agrícola, com exportações de café, cacau, algodão e importação de produtos manufaturados e matérias-primas. Com a guerra, o país não podia mais importar e a indústria brasileira foi obrigada a utilizar o que tinha por aqui fazendo com que esse setor acabasse chegando à exaustão e tendo que substituir por novas, fazendo o setor industrial de máquinas e equipamentos crescer e fazendo Getúlio Vargas criar uma Coordenação da Mobilização Econômica para administrar a chamada “economia de guerra”.
Com a grande diminuição da importação no Brasil, entre 1939 e 1945, houve uma radical transformação na economia do país. Aproveitando esse fato, o governo brasileiro acreditava que era hora certa para redesenhar a geografia econômica e, com isso, deu um grande impulso às indústrias de base. Durante o período de guerra, o governo aumentou seu investimento à economia interna e, com o fim da guerra, este investimento por parte do governo continuou com planos de investimentos públicos, fazendo o setor privado nacional desenvolver-se por meio de políticas protecionistas que foram adotadas pelo governo.
Com o “Plano de Metas”, programa desenvolvido no governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), novamente os setores básicos da economia ganham um grande impulso. Este plano foi executado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento, com assistência técnica do BNDE.
Todas essas iniciativas governamentais do pós-guerra, com planos que fizeram a economia brasileira se expandir, acarretaram no surgimento da indústria automobilística, expansão da siderurgia, crescimento da indústria de máquinas e equipamento industrial. Isso se reflete em Joinville, que, a partir de 1950, começa a ver um horizonte mais amplo: a colônia de imigrantes alemães começa a se industrializar e receber um contingente muito grande de trabalhadores, que acabam vindo de outras regiões do estado e até de cidades de outros estados em busca de uma oportunidade para melhorar de vida. Isso acabou fazendo com que Joinville, já na década de 80, viesse a se tornar a maior cidade de Santa Catarina e com uma urbanização desenfreada acarretando diversos problemas na cidade.
Com esse advento da industrialização brasileira, Joinville acabou se tornando um polo do setor metal-mecânico, com as principais empresas do ramo no estado e até do país. As empresas em destaque são: Tupy, Consul, Embraco, Busscar, Duque, Schneider, Douat, Wetzel, Granalha de Aço e Schulz, que exportam para diferentes estados brasileiros e para diversos países.
Estamos no século 21 e muitas dessas empresas já passaram e ainda passam por crises, e não têm mais a quantidade de funcionários que tinham no auge da industrialização joinvilense. Outras venderam parte de seu patrimônio para outras empresas da cidade e até para empresários estrangeiros. O fato é que, apesar de vários anos se passarem e outras regiões do estado também se desenvolverem no setor metal-mecânico, como o Vale do Itajaí, o oeste catarinense e a região de Criciúma, a cidade de Joinville ainda é destaque nesse setor que, junto com outros setores da indústria, faz da cidade a terceira economia do sul do Brasil.

