terça-feira, 13 outubro , 2026

Ela ajudou a fundar um movimento social

Em 1997, Alaíde Corrêa foi uma das criadoras do Movimento Cultural de Conscientização Negra Tubaronense. 

Tubarão

Elas são maioria entre os habitantes de Tubarão. Segundo o último Censo Demográfico, de 2010, o município é formado por 50.121 mulheres contra 47.114 homens. Em todas, uma história de vida marcada pela necessidade de se afirmar e conquistar espaço.

Foi assim, por exemplo, que há 20 anos a hoje professora aposentada Alaíde Corrêa, 61, reuniu amigos para, juntos, criarem um grupo que se dedicasse a representar não só as mulheres, mas todos os negros da cidade. Naquele ano de 1997, estava então criado o Movimento Cultural de Conscientização Negra Tubaronense (Mocnetu).

Mas antes da luta específica pela igualdade racial, Alaíde já estava envolvida na batalha diária de levar o conhecimento nas salas de aula. Formada pela Unisul e pós-graduada em História Social, foi por quase 20 anos professora de Português, Inglês e Espanhol nas redes estadual e municipal de cidades como Tubarão, Jaguaruna e São Martinho.

“Machismo nega  oportunidades, diz”
Atual presidente do Mocnetu, Alaíde afirma que, para além do tom de pele, há o machismo, que fecha as portas a mulheres de qualquer origem. “A sociedade é machista, não dá espaço. A mulher, de modo geral, está sempre em segundo plano”, critica.

Em se tratando de mercado de trabalho, para as negras ele pode ser ainda mais inacessível, reclama Alaíde, dando como exemplo o comércio em Tubarão. “Se há vaga de emprego, dizem que foi preenchida, quando uma negra vai se candidatar. Mas já ouvi comentários de que não contratam porque algum cliente não gosta de ser atendido por negra”, diz.

É para reverter esse quadro que o Mocnetu busca discutir questões ligadas à promoção da igualdade, tendo como tripé as áreas da saúde, educação e cultura. Sem nenhum patrocínio, o grupo participa de eventos e organiza palestras e debates.

E também enfrentas críticas, segundo a presidente. “Muitos acham que o movimento negro não deveria existir, porque para eles não há racismo. Mas queremos direitos iguais. Só quem sente na pele é que sabe”, defende.


Prevenção de doenças deve ser rotineira

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O dito popular “prevenir é melhor que remediar” talvez seja a expressão adequada quando o assunto é a saúde da mulher. Fazer atividades físicas, ter hábitos saudáveis e visitar com frequência o médico são alguns dos requisitos básicos relacionados pela maioria dos especialistas para evitar uma série de doenças.
A ginecologista Lisandra Radaelli da Silva, da Clínica Pró-Vida, informa que neste pacote de cuidados é necessário que a mulher seja atendida por um profissional durante todas as fases da vida.

“O ginecologista é o clínico da mulher, capaz de individualizar os períodos da vida feminina e assim, tomar medidas de ação, tanto em saúde coletiva, quanto individual”, orienta.

A menarca ou início da menstruação é a primeira fase destacada pela médica que precisa de atenção. As cólicas, a regularidade do ciclo menstrual, doenças sexualmente transmissíveis, as vacinas adequadas para a faixa etária e a anticoncepção, entre outros, são alguns dos assuntos abordados nas consultas.

O segundo momento é a fase reprodutiva – período que compreende o pré-natal. “Outro fator de grande relevância ao público feminino é o prazo de validade da reprodução. Acima de 35 anos diminui de forma acentuada as chances de ocorrer uma gravidez”, completa Lisandra.

Na terceira fase o destaque é para a prevenção de doenças no climatério. “A média da brasileira na menopausa é de 49 anos. A prevenção de doenças nesta etapa precisa ter um foco maior de atenção. É o período em que elas se igualam aos homens nas doenças cardiovasculares, além da ocorrência de alguns tipos de cânceres, como mama, endométrio e de pele”, alerta. Nesse período a ginecologista solicita a realização de mamografia, coleta do preventivo, ultrassom transvaginal, avaliação laboratorial, entre outros.


Mulheres conquistam espaço na Ferrovia Tereza Cristina

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Mulheres e homens bem informados fortalecem o ambiente profissional e juntos conseguem chegar mais longe.

Na Ferrovia Tereza Cristina (FTC), há muitos anos essa ideia vem sendo aplicada. No setor de transporte, onde predominam os homens, trabalha a assistente administrativo Daniela Freitas, com formação em Sistemas de Informação. Há mais de 4 anos na empresa, nunca se sentiu desvalorizada no ambiente profissional por ser mulher. “Já aconteceu de duvidarem que eu executasse determinada tarefa, mas eu fui em frente e superei a expectativa”, conta.

Outro exemplo é o da assistente de Administração de Pessoal da ferrovia, Maria Kuntz Luiz, que está na empresa há 20 anos. “Nosso setor cuida do patrimônio mais precioso da empresa: as pessoas. Nossas responsabilidades vão além de garantir a ordem da folha de pagamento. Cuido dos benefícios que cada colaborador recebe, como vale alimentação, vale transporte, entre outros. Gosto do que faço e aqui aprendi muito. Lidar com as pessoas é sempre gratificante.”, relata Maria.

Segundo a gerente de Gestão de Pessoas da empresa, Eliane Maria Fernandes de Souza, ser mulher vai além da facilidade em desempenhar mil atividades diárias.

“Somos colocadas à prova todos os dias, e o nosso jeito de lidar com as pessoas, com mais zelo e atenção, nos qualifica a exercer com muito esmero as atividades numa empresa ‘dominada’ pelos homens”, comemora.


Mulheres mostram trabalho no setor de engenharia

Neste Dia Internacional da Mulher, a engenheira civil Luciana Balsini Francalacci, colaboradora da Athena Construções, observa que o mercado está muito diferente. “Na minha turma formaram-se 20 pessoas e, entre elas, duas mulheres, uma era eu”, ressalta.

“Em momento nenhum senti represália por ser mulher, mas sei que isso ocorre”, diz Liliane Marcelino Antunes, coordenadora financeira.

Aos 32 anos, Maria Carolina, também formada em engenharia civil, já coordenou obras com 60 colaboradores e acompanhou a construção de cinco grandes empreendimentos.

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