sábado, 4 abril , 2026

Empresário versus empregado

A presente crise econômica mundial, excetuando as razões que levaram o mercado americano à bancarrota com sensíveis reflexos em outras economias do planeta, serviu para mostrar a insensibilidade de grupos empresariais gananciosos, que só se preocupam com a voracidade dos lucros de suas empresas e esquecem-se de dar segurança de emprego a seus empregados em momentos de transição conjuntural.

Essa visão de responsabilidade empresarial com os seus empregados deveria ser uma preocupação de todas as empresas. O empregado é uma das peças fundamentais da engrenagem de um negócio. Não basta ter os componentes de fabricação ou de comércio se não existir aquele que saiba conduzi-los. Os dois estão intimamente ligados – empresário e empregado -, um depende do outro. É evidente que a direção de seus proprietários tem que ser respeitada, mas os fins dos negócios são alcançados graças ao bom desempenho do corpo de empregados.

Neste momento de turbulência da economia mundial, o mercado brasileiro já dá sinal de seu efeito maléfico com a previsão de muitas demissões anunciadas. Segundo a FGV, um terço das indústrias nacionais pretende demitir, o que representa o maior índice nos últimos dez anos.

A questão de emprego em atividades privadas, principalmente nas médias e grandes empresas, deveria merecer mais atenção de nossas autoridades políticas, governamentais e do Ministério do Trabalho. As empresas, ao se estabelecerem, deveriam sofrer um processo prévio para verificar a real capacidade (econômico-financeira) de poder suportar relativamente o seu quadro de empregados em determinadas situações – como segurança da manutenção de emprego do trabalhador.
Vejam o que está ocorrendo atualmente com a indústria de carros. Mal acostumada com grandes margens de lucros, e mesmo recebendo dinheiro do governo para suas operações, anuncia demissões porque certamente não aceita reduzir a margem de sua lucratividade.

Antes de a China despontar para o mercado de calçados, muitas empresas exportadoras de calçados, no Vale do Rio dos Sinos, recrutavam empregados acima de sua capacidade de endividamento, visando atender, em grande escala, ao mercado americano, mas sem nenhuma preocupação com o futuro desses operários. E qualquer retaliação de política externa, ou defasagem cambial, logo batiam à porta das autoridades monetárias pedindo socorro e demitiam os empregados. Isso tudo ocorria e ainda ocorre por falta exclusiva de responsabilidade empresarial e por ausência de políticas públicas atuantes.

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