Início Opinião Enchente não encena. Destrói e mata!

Enchente não encena. Destrói e mata!

 

Acompanhando entrevista de uma autoridade, em 4 de julho último, num veículo de comunicação local, percebi o quanto se perdeu de seriedade na administração dos interesses públicos.     
Ao ser indagado pelo repórter sobre a redragagem do rio Tubarão, a citada autoridade disse, sem a menor cerimônia, que “fez um teatro, porque o projeto foi entregue, na primeira vez, sem testemunhas”.
 
Justificava o fato de o mesmo projeto ter sido entregue, duas vezes, num espaço de dois anos, a também mesma autoridade local. Um absurdo, diante dos alertas de nova tragédia, das tantas etapas que precisam ser superadas para evitá-la e falta de respeito com as pessoas e instituições que se dedicaram à elaboração do referido projeto.
 
Na verdade, não faltaram testemunhas. Os principais envolvidos na concretização estavam lá e a imprensa divulgou. E se não estivessem? Impediria de tocar o projeto adiante?
É incrível que ainda exista espaço para encenação. Afinal, está se falando do projeto que viabilizará a principal obra a fim de evitar que Tubarão seja tragado novamente pelas águas, como em 1974 e anteriores. 
As etapas anteriores foram concretizadas porque todos trabalharam com seriedade e sem teatros:
 
1) No primeiro seminário sobre os 35 anos da enchente de 74 – que  salvou a data de passar em branco, mesmo havendo lei municipal determinando e o rio assustando com periodicidade, em que especialistas discorreram sobre prevenção, memória e reação eficiente a desastres naturais -, a Cidasc assumiu a batimetria do rio e cumpriu na data marcada.  
 
2) No segundo seminário, com diversas conquistas em decorrência do primeiro, como a criação do núcleo de estudos sobre desastres naturais da Unisul e outros, Cidasc e Deinfra apresentaram o projeto, que posteriormente foi entregue ao poder executivo municipal.
 
3) No terceiro seminário, Cidasc e Deinfra informaram sobre a disponibilidade da área de “bota-fora” e da parceria do governo do estado na busca das licenças ambientais, que determinarão os projetos complementares. 
Se buscassem tais soluções, em vez da obstinação em encenar, com certeza, já estaríamos mais próximos dos necessários R$ 80 milhões para realizar a obra e menos vulneráveis, evidentemente.
Que alguém avise as autoridades que enchente não encena. Destrói e mata!
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