terça-feira, 2 junho , 2026

Endrick foi longe cedo demais. Ou o Brasil chegou tarde demais nele?

Notisul | Maio de 2026

Em janeiro de 2026, o Endrick chegou ao Lyon como empréstimo.

19 anos. Saindo do Real Madrid quase sem jogar. Poucos minutos em meses. Técnico novo que não contava com ele. Um nome gigante carregando uma sombra enorme.

Na França, ao primeiro toque de bola com espaço, com confiança, com minutos reais, o que aconteceu?

20 jogos. 8 gols. 8 assistências.

O menino estava lá o tempo todo. Só precisava de alguém que acreditasse.

Isso me faz fazer uma pergunta diferente da que todo mundo faz.

A pergunta não é se o Endrick foi cedo demais.

A pergunta é: por que ele precisou ir embora pra provar que estava pronto?

A história que a gente conhece

Endrick estreou no Palmeiras profissional aos 16 anos.

Fez gols. Fez jogadas que não existem em livro de tática. Mostrou personalidade de titular antes mesmo de ter idade pra votar.

Aos 18, foi para o Real Madrid por 47,5 milhões de euros. A torcida do Palmeiras aplaudiu de pé. O mundo olhou. Era o anúncio de uma era.

Na primeira temporada, sob comando de Ancelotti, fez 40 jogos e 7 gols. Não era titular, mas aparecia. Entrava, decidia, saía sorrindo.

Depois veio Xabi Alonso. E o Endrick sumiu.

Três jogos. Noventa e nove minutos em meses. Invisível no clube mais famoso do mundo.

Não era falta de talento. Era falta de oportunidade.

E foi aí que o empréstimo ao Lyon virou a melhor coisa que aconteceu com ele.

Os que foram e sumiram

O caso do Endrick tem final feliz por enquanto. Mas é exceção dentro de uma lista longa.

Pensa no Reinier.

Comprado pelo Real Madrid aos 18 anos por 30 milhões de euros. Revelação do Flamengo. Criativo, inteligente, com uma visão de jogo que não se treina. Foi pra Madri e nunca encontrou o espaço que precisava. Emprestado ao Borussia Dortmund: 19 jogos, 1 gol. Emprestado ao Girona: não convenceu. Um menino que o Brasil inteiro achava que ia dominar o mundo europeu. E que o mundo europeu nunca parou pra ver de verdade.

Pensa no Vitor Roque.

Barcelona por 40 milhões de euros. Chegou como solução. Saiu como interrogação.

Dois gols em 16 partidas. Emprestado ao Betis, melhorou, fez 7 gols, mas não o suficiente pra ficar. O mesmo atacante que destruía no Athletico-PR virou reserva em clube que mal brigava pelo título espanhol.

E o Ângelo, do Chelsea?

Saiu do Santos jovem, com expectativa enorme. Não conseguiu espaço. Acabou no Al-Nassr, longe do que parecia ser seu destino.

Todos com talento real. Todos sem a estrutura certa no momento certo.

Os que foram e chegaram. Por quê?

Antes de concluir que ir cedo é sempre errado, preciso ser justa com os dados.

Vinícius Júnior foi ao Real Madrid aos 18 anos.

Passou pelo Castilla, o time B. Ganhou minutos gradativamente. Sofreu racismo, críticas, pressão de torcida que chegou a pedir sua saída. E ficou. E cresceu. E hoje é o jogador que pode ganhar a Bola de Ouro na mesma temporada em que vai disputar uma Copa do Mundo como protagonista da Seleção.

Rodrygo foi ao Real Madrid aos 18 anos.

Mesmo caminho. Mesmo processo. Paciência, estrutura, progressão real.

A diferença entre quem deu certo e quem sumiu não foi a idade.

Foi o que o clube fez com o tempo que tinha.

A questão que ninguém debate direito

A gente sempre debate se o jogador foi cedo demais.

Raramente debate se o Brasil tinha como segurá-lo.

O Endrick surgiu num Palmeiras bem estruturado, com base séria, com projeto. Mesmo assim, foi vendido aos 18. Não porque o Palmeiras quis se livrar. Porque a oferta de 47,5 milhões de euros é impossível de recusar quando o futebol brasileiro opera com a disparidade financeira que opera.

Mas e se o Brasil tivesse uma liga mais forte? Um campeonato que gerasse receita suficiente pra competir com essas propostas por pelo menos mais uma temporada? Um ambiente que desenvolvesse o jogador até ele estar realmente pronto, não apenas maduro o bastante pra ir?

Não estou romantizando. Sei que o jogador quer ir, que a família quer a segurança, que o empresário precisa fechar o negócio. É um sistema complexo e ninguém é vilão nessa história.

Mas o que o caso do Endrick no Lyon mostrou é simples e poderoso:

Quando esse menino tem minutos, tem confiança e tem um treinador que acredita nele, ele decide jogos em alto nível europeu com 19 anos.

Quantos Endricks precisaram de empréstimo pra provar o que todo mundo já devia saber?

O que fica quando o holofote apaga

O Reinier ainda está por aí. Com talento intacto, mas sem o protagonismo que merecia.

O Vitor Roque voltou ao Brasil emprestado ao Athletico, reencontrou o futebol, mostrou que o problema nunca foi ele.

O Endrick volta ao Real Madrid agora, depois da Copa, com moral conquistado na França e a chance de finalmente ter espaço no clube que pagou quase 50 milhões por ele.

Histórias diferentes. Mas com o mesmo fio:

O talento brasileiro não some quando vai embora. Ele às vezes adormece quando ninguém aposta nele.

A pergunta que eu não consigo largar

Se o Endrick foi longe cedo demais, por que no Lyon ele foi o jogador que todo mundo imaginava que ele seria quando saiu do Palmeiras?

Se o Reinier foi longe cedo demais, por que o Real Madrid pagou 30 milhões por ele?

Se o Vitor Roque foi longe cedo demais, por que o Athletico o cedeu e o Barcelona o comprou?

A resposta incômoda é que nenhum deles foi longe cedo demais.

O que aconteceu é que o Brasil não construiu um ambiente onde eles pudessem chegar no tempo certo. E os clubes europeus nem sempre souberam o que fazer com o que receberam.

O talento nasce aqui. A ginga, a malícia, a leitura de jogo, a criatividade.

O que falta, dos dois lados do Atlântico, é paciência.

Paciência pra deixar o craque virar craque.

Porque quando isso acontece, o mundo para pra ver.

O Endrick em Lyon provou isso.

Agora imagina quando ele chegar num lugar que realmente acredita nele.

Por Karine Mendes | Coluna Aos 45 | Notisul | Maio de 2026

Continue lendo

Nova pílula dobra sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas e emociona especialistas

Um novo medicamento oral para câncer de pâncreas metastático chamou a atenção da comunidade médica mundial durante a edição de 2026 da American Society...

Tombamento de caminhão bloqueia totalmente a BR-282 em Rancho Queimado

FOTO PRF Divulgação Notisul Tempo de leitura: 2 minutos O bloqueio na BR-282 continua causando transtornos aos motoristas na manhã desta terça-feira (2), em Rancho Queimado,...

EUA concluem investigação e propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação comercial contra o Brasil e propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre mercadorias...

Vice-prefeito de Lages é preso após receber alta hospitalar

O vice-prefeito de Lages, Jair Junior, foi encaminhado ao Presídio Masculino de Lages nesta segunda-feira (1º), após receber alta da Unidade de Terapia Intensiva...

PM cumpre quatro mandados de prisão no Sul de SC

FOTO PMSC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 2 minutos A Polícia Militar de Santa Catarina cumpriu quatro mandados de prisão entre segunda-feira (1º) e terça-feira (2),...

Prefeitura de Laguna apresenta projeto para reforçar segurança viária na Rua Luiz Severino, no Iró

A Prefeitura de Laguna apresentou nesta segunda-feira (1º) um projeto para ampliar a segurança viária na Rua Luiz Severino Duarte, na Praia do Iró....

Criciúma monitora rios e reforça ações preventivas contra impactos das chuvas

Fotos: Lucas Sabino Divulgação Notisul TEMPO DE LEITURA: 3 minutos A Prefeitura de Criciúma realizou, na tarde desta segunda-feira (1º), um sobrevoo técnico para avaliar as...

Corpo é encontrado em área de mata no bairro Morro do Mirim, em Imbituba

IMAGEM PMSC Divulgação Notisul TEMPO DE LEITURA: 2 minutos Um homem foi encontrado morto na noite de segunda-feira (1º) em uma área de mata de difícil...