N o período atual, muito se discute sobre a instabilidade econômica e as formas de driblar os problemas financeiros com a redução de despesas, principalmente porque a alta do dólar não facilita os processos de importação de produtos e equipamentos, os quais, muitas vezes, são essenciais para o desenvolvimento da indústria e do comércio. O que pouco se discute é a identificação de soluções alternativas aos problemas atuais com o uso da inovação tecnológica, o que resulta em aberturas de novos mercados, no retorno do investimento a médio e longo prazo, além da independência tecnológica sobre fornecedores na maioria das vezes internacionais.
Existem dois tipos de pesquisa geradas pelas Entidades de Ciência, Tecnologia e Inovação (ECTIs): as chamadas pesquisas básicas, de cunho mais exploratório, que visam compreender os fenômenos físicos, químicos, biológicos, sociais, etc.; e as pesquisas aplicadas, cuja finalidade é se utilizar de dados gerados nas pesquisas básicas para a solução de problemas reais. A pesquisa aplicada, portanto, pode tornar-se um novo produto, uma nova ferramenta, um novo indicador ou mesmo um novo serviço disponível para o mercado ou para a sociedade.
A questão primordial, portanto, passa a ser a interação entre as ECTIs, poder público e iniciativa privada. O poder público, hoje, tem algumas amarrações de ordem legal que não lhe permitem ter a flexibilidade necessária de decisão para atuar na contratação de soluções voltadas para os problemas que lhe competem. Por termos uma legislação que privilegia sempre o menor preço, e não o melhor produto, muitas vezes temos como resultado um produto que não atende à necessidade como um todo. Tal procedimento gera, de fato, uma despesa menor, mas não a solução do problema. Ou seja, resulta na necessidade posterior de novos investimentos para “complementar” a solução implantada.
Uma das soluções apontadas para o ramo do setor público é a chamada encomenda tecnológica, em que se busca uma solução apropriada com um valor compatível. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os Estados Unidos utilizam, hoje, 40% de seu investimento em pesquisa e desenvolvimento voltados para essas encomendas tecnológicas no setor público.
Na iniciativa privada, por seu turno, temos uma flexibilidade maior disponível em termos de negociação diante das soluções propostas. O empecilho, todavia, parece ser outro. Há uma preocupação constante sobre a relação da mensuração de investimentos, segurança nos resultados e velocidade no alcance da solução. De fato, existem problemas que já possuem uma solução posta no mercado, a um custo baixo, e que podem ser atendidos no prazo de um ou dois meses. Mas não se trata de apenas adquirir um novo equipamento que produz uma nova determinada peça ou produto. Trata-se de efetivamente saber o que se está produzindo, ser detentor desse conhecimento, de suas características, de suas propriedades, de suas aplicações e, principalmente, de proteger essa expertise. A pesquisa aplicada nas ECTIs, como a Unesc, portanto, é uma ótima oportunidade de negócios para aqueles que desejam planejar o seu futuro e o de sua empresa.
A região sul do Brasil, segundo o último relatório do Ministério da Ciência e Tecnologia, é a que movimentou a maior quantidade de recursos na área de pesquisa, desenvolvimento e inovação em 2014, um valor de R$ 167 milhões. Esse dado é um reflexo da característica empreendedora dos empresários dos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, que têm investido em inovação como uma das formas de mediar a crise e gerar o desenvolvimento regional.