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Os vinhos de altitude vêm consolidando a Serra Catarinense como um dos principais polos vitivinícolas do país. Além da qualidade reconhecida dos rótulos, o setor tem investido em experiências que aproximam os visitantes do processo de produção e fortalecem o turismo regional.
Para o enólogo Edson Andrade, da Vinícola Altopiano, o crescimento da atividade está diretamente ligado à qualificação de profissionais e à valorização da identidade local. Com 16 anos de experiência na área, ele acompanhou a evolução da vitivinicultura desde a implantação dos primeiros cursos técnicos e superiores de Enologia em Santa Catarina.
Turismo vai além da degustação
Segundo Edson, o perfil do visitante mudou nos últimos anos. Mais do que provar um vinho, o turista busca conhecer a história da vinícola, entender o processo de produção, visitar os vinhedos e vivenciar experiências ligadas à gastronomia e à cultura da região.
“Hoje, quem visita uma vinícola procura uma experiência completa. O vinho é apenas parte dessa conexão com o território e com a história de quem produz”, resume o enólogo.
Na Vinícola Altopiano, em São Joaquim, essa proposta faz parte da estratégia da empresa, que mantém um receptivo aberto ao público e aposta em produções limitadas para oferecer rótulos exclusivos.
Produção em pequena escala valoriza exclusividade
Atualmente, a Altopiano produz cerca de 10 mil garrafas por ano, distribuídas em 16 rótulos. A vinícola também desenvolve microvinificações, utilizando pequenas quantidades de uvas para testar novas variedades.
Um dos projetos mais recentes envolveu a produção experimental de um vinho elaborado com a uva italiana Sagrantino di Montefalco. A colheita rendeu apenas 130 quilos da fruta, quantidade suficiente para produzir aproximadamente 90 garrafas.
Segundo Edson, iniciativas desse tipo permitem apresentar aos visitantes todo o processo de elaboração de um vinho, desde a colheita até a vinificação.
Formação profissional impulsionou o setor
O enólogo destaca que o avanço dos vinhos de altitude também foi possível graças à formação de mão de obra especializada na própria Serra Catarinense.
Os primeiros cursos técnicos e de graduação em Enologia surgiram para atender à demanda das vinícolas que começaram a se instalar na região no início dos anos 2000, formando profissionais capazes de atuar em todas as etapas da produção.
Indicação Geográfica reforça qualidade
Outro diferencial citado por Edson é a Indicação Geográfica (IG) dos Vinhos de Altitude de Santa Catarina. O selo certifica que os rótulos seguem critérios específicos de produção, incluindo o cultivo das uvas em vinhedos localizados acima de 900 metros de altitude.
Na avaliação do enólogo, esse reconhecimento fortalece a imagem dos vinhos catarinenses e oferece mais segurança ao consumidor quanto à origem e à qualidade do produto.
Apesar do crescimento do setor, Edson ressalta que a vitivinicultura na Serra Catarinense ainda é relativamente recente quando comparada às tradicionais regiões produtoras do mundo. Para ele, o processo de aperfeiçoamento continua, impulsionado pela combinação entre conhecimento técnico, inovação e valorização das características locais.

Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina de Criciúma, e rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.

