quarta-feira, 28 janeiro , 2026

Entre a falsa pregação democrática e o autoritarismo real das intimidações

Ingressei no primeiro semestre do curso de direito da Universidade Federal de Pelotas em março de 1981. Poucos meses depois, fui escolhido pelo DCE para ser representante dos alunos do curso no Conselho Universitário.

Matriculei-me na universidade não para obter um diploma, mas para mudar o mundo. Estudava pela manhã e trabalhava como voluntário à noite em uma favela na periferia pobre da cidade. Nas reuniões nas comunidades eclesiais de base, as lições da teologia da libertação. Na universidade, os debates melhores não eram travados nas salas de aula, mas entre os colegas do movimento estudantil que, naquele tempo, estudavam muito.

Ainda não predominava o “achismo”. Meu livro preferido era O Estado e a Revolução, de Lênin. Não notava ainda que havia diferenças entre a revolução cristã e a revolução marxista. Somente em 1989 (queda do muro de Berlim), percebi com mais clareza tais diferenças.

A primeira assembléia geral ninguém esquece. Mais de cinco mil estudantes de toda a universidade. O ginásio cheio. Pedi a palavra e, enquanto a distância entre eu e o microfone se fazia menor, dei-me conta que deveria falar com convicção e clareza. Organizei em segundos um breve esquema mental. Segurei o microfone e apresentei minhas propostas com objetividade e paixão.

O “companheiro Fábio”, crente convicto, de oração diária, contava com a simpatia dos seus amigos ateus, devotos do marxismo e da psicanálise (na época, Freud era mais uma ideologia do que uma metodologia terapêutica).
A primeira passeata também é inesquecível. Principalmente se interrompida pela polícia de choque.

No movimento estudantil, além dos estudantes sérios, havia os “maconheiros da revolução” e os “traumatizados pelo pai”. Os “maconheiros da revolução” reuniam-se para estudar marxismo entre cervejadas, baseados e orgias sexuais. Estudantes inúteis à revolução. Os “traumatizados pelo pai” eram os que rejeitavam o reitor pela lembrança da autoridade do pai carrasco que tiveram. Transferiam para a figura das autoridades políticas (reitor, prefeito) o trauma que sofreram pelo autoritarismo do próprio pai. O problema deles não era político, mas psicológico.

O movimento estudantil ainda conserva virtudes e, também, velhos cacoetes: as tendências marxistas foram substituídas por partidos (PCO, PSTU, PT, PSOL); e ainda há quem troque os argumentos pelas ofensas, já que elas não exigem muita cognição.
No meu caso, recentemente escrevi para defender, em resumo, duas idéias sobre a Unisul: sua raiz humanista-cristã, e meu apreço (pessoal) pelo voto do colégio eleitoral.

Fui chamado de puxa-saco, pelego, reacionário. Usei uma bela citação publicada por um aluno num jornal e ele me chamou de criminoso. Meu crime: usar uma citação literal. Ora, imagino como tal aluno fará sua monografia sem recorrer a citações literais.
Defendo a superioridade do colégio eleitoral não somente porque há reitores pelo Brasil que vencem eleições comprando votos diretos por meio de bolsas. Defendo por razões técnico-administrativas e políticas. Se o futuro reitor da Unisul for favorável ao voto direto, discordarei dele. Posso até perder, mas serei contra.

Não sou porta-voz da Unisul (mito criado por aí). Sou um simples professor brasileiro de sociologia que escreve com a própria cabeça, e com o direito de opinar sobre o que quiser. Ou será que agora alguns estudantes e jornais autoritários julgam-se no direito de determinar a minha pauta?

Sou cidadão brasileiro de um estado constitucional de direito e não tenho medo de intimidações. Opino, com ou sem insistência, sobre o que eu quiser e nenhum aprendiz de ditador vai calar a minha boca nem definir a minha pauta. A não ser que me matem. Mas, mesmo assim, do céu ou do inferno, vou continuar opinando!
Nota – Domingo escreverei sobre a nota da Apit.

Continue lendo

Pelo Estado – Obra no Morro dos Cavalos é anunciada pelo Governo Federal 

 Acredite quem quiser. Ou melhor, acredite se puder, mas o Governo Federal anunciou nesta quarta-feira, 28, que a obra do túnel do Morro dos...

Corpo de Bombeiros de SC lança concurso público com 110 vagas e salários de até R$ 18 mil

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBM-SC) publicou os editais de dois novos concursos públicos com 110 vagas, distribuídas entre os cargos...

Novas leis estaduais fortalecem atendimento a crianças com câncer em SC

Saúde e inclusão social estão entre os temas contemplados por novas leis estaduais sancionadas pelo Governo de Santa Catarina na última semana. As normas,...

Balneário Gaivota celebra Nossa Senhora dos Navegantes e Iemanjá

Imagem Divulgação Notisul  Tempo de leitura: 4 minutos Balneário Gaivota será palco de uma intensa programação religiosa e cultural em homenagem à Nossa Senhora dos Navegantes,...

Capivari de Baixo abre adesão para adoção de praças e espaços públicos

IMAGEM PMCB Divulgação Notisul  Tempo de leitura: 4 minutos Empresários e pessoas físicas interessados na adoção de praças, canteiros e outros espaços públicos em Capivari de...

Tubarão reforça parceria com universitários para mutirões de saúde em 2026

FOTO PMT Divulgação Notisul  Tempo de leitura: 4 minutos Em uma iniciativa voltada ao fortalecimento da saúde pública e à integração acadêmica, a Secretaria de Saúde...

TJSC suspende lei que proíbe cotas raciais em universidades

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) suspendeu, de forma liminar, os efeitos da Lei Estadual nº 19.722/2026, que proibia a adoção de...

Colégio Dehon investe em Inteligência Artificial na Semana Pedagógica 2026

FOTOS Divulgação Notisul  Tempo de leitura: 4 minutos TUBARÃO (SC) – Com o objetivo de alinhar inovação tecnológica e excelência educacional, o Colégio Dehon realiza, entre...