sábado, 14 março , 2026

Entrevista – Alex Brasil, deputado estadual 

“O eleitor conservador valoriza constância, princípios e clareza de posicionamento” 

 

 

O deputado estadual Alex Brasil (PL) tem se destacado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina por sua atuação voltada ao desenvolvimento regional e à defesa de pautas conservadoras. Com discurso firme, ele tem priorizado projetos ligados à segurança pública, geração de empregos e fortalecimento do empreendedorismo. 

A Coluna conversou com o parlamentar sobre o atual cenário político catarinense e sua expectativa para o próximo pleito. Confira: 

 

Pelo Estado – Como o senhor vê o cenário político catarinense atual, mais especificamente em relação à provável saída da deputada Carol De Toni do seu partido e à discussão pela indicação da vaga ao Senado? Acredita que isso possa ser “mal visto” pelo eleitor? 

Alex Brasil – Vejo o cenário do Senado em Santa Catarina como bastante competitivo, inclusive mais disputado do que a própria eleição para o Governo do Estado. Trata-se de um movimento que também deve ocorrer em outras unidades da Federação. O presidente Jair Bolsonaro já manifestou a importância do equilíbrio entre os Poderes, e entendo que o Senado Federal possui papel fundamental nesse contexto institucional. 

No que se refere à deputada Carol De Toni, que foi a parlamentar federal mais votada do Estado, reconheço sua atuação consistente no Congresso Nacional. Entendo que sua eventual candidatura ao Senado decorre da leitura de que este é o momento político adequado, considerando sua densidade eleitoral e sua base de apoio. 

Quanto às demais movimentações partidárias, observo que o atual governador tem demonstrado habilidade na construção de alianças e coligações. Diferentemente do último pleito, quando concorreu com menor composição partidária, hoje há diversas siglas interessadas em compor. Acredito que essas articulações se ajustarão naturalmente ao longo do processo eleitoral. Ao final, quem decidirá será o eleitor catarinense, que historicamente tem se mostrado atento e firme em suas convicções. 

 

Pelo Estado – Qual será o maior desafio dos candidatos para conquistar o voto do eleitor catarinense mais conservador? 

Alex Brasil – Entendo que o maior desafio será a coerência. Com o fortalecimento das redes sociais, o eleitor não se limita mais a discursos pontuais; ele pesquisa o histórico, analisa posicionamentos anteriores, acompanha votações e observa a trajetória ideológica do candidato. Portanto, não é possível sustentar uma narrativa desconectada da própria história. O eleitor conservador valoriza constância, princípios e clareza de posicionamento. Além disso, é fundamental manter presença ativa junto à população. O mandato não pode se restringir ao gabinete. Transparência, prestação de contas e proximidade com a comunidade são fatores determinantes. Acredito que aqueles que sempre mantiveram uma linha coerente de atuação terão maior facilidade em demonstrar seus valores e compromissos, o que fortalece a confiança do eleitor. 

 

Pelo Estado – Em relação à majoritária no Estado, qual análise o senhor faz dos pré-candidatos? 

Alex Brasil – No cenário estadual, avalio que o governador Jorginho Mello realiza uma gestão alinhada às promessas apresentadas durante a campanha. Na minha análise, trata-se de um mandato consistente. Naturalmente, outros pré-candidatos podem apresentar seus projetos e disputar legitimamente o pleito. Contudo, sob minha perspectiva, o governador reúne condições políticas e administrativas favoráveis a uma eventual reeleição. Reitero meu apoio ao seu projeto e considero que sua gestão tem apresentado resultados relevantes para Santa Catarina. 

 

Pelo Estado – Seu mandato iniciou no segundo semestre de 2024. Quais foram os desafios encontrados desde então e como o senhor definiria sua gestão até agora? 

Alex Brasil – Assumi como suplente em 2024 e, de forma definitiva, em 2025. Desde então, estabeleci como meta percorrer os 295 municípios de Santa Catarina. No primeiro ano de mandato efetivo, visitei 160 municípios. 

 

Faço questão de ressaltar que essas visitas não são protocolares. Procuro reunir-me com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e representantes locais, ouvindo demandas e compreendendo as especificidades de cada região. Essa proximidade permite que o mandato seja mais assertivo na proposição de políticas públicas. Atualmente, participo de comissões relevantes, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), além de integrar comissões temáticas como Turismo e Educação. Paralelamente, mantenho atuação constante nas votações em plenário e atendimento direto à população em meu gabinete. 

Defino minha gestão como um mandato de presença, diálogo e compromisso com o desenvolvimento de Santa Catarina. Acredito que nosso Estado é referência nacional e pode avançar ainda mais com responsabilidade e equilíbrio. 

 

Pelo Estado – Como o senhor avalia a polêmica em torno da lei de sua autoria, que proíbe o ingresso de alunos por cotas raciais nas universidades estaduais? 

Alex Brasil – A discussão em torno do projeto foi intensa e ganhou repercussão nacional. Desde o início do debate, observei a ampliação de políticas de cotas direcionadas a diversos grupos específicos. Entendi que era necessário rediscutir o critério de acesso às universidades estaduais sob a ótica da justiça social e da equidade. O projeto aprovado estabelece como critério principal a condição socioeconômica, contemplando estudantes de baixa renda, pessoas com deficiência e egressos da escola pública. O foco está na vulnerabilidade econômica, independentemente de raça, religião ou orientação pessoal. 

Minha compreensão é que a universidade pública deve priorizar aqueles que não possuem condições financeiras de competir em igualdade com candidatos oriundos de contextos mais favorecidos. Reconheço que o tema gera divergências e que houve judicialização da matéria. Respeito o devido processo legal e confio nas instâncias competentes para a análise constitucional. Defendo que o debate seja conduzido com responsabilidade institucional, sempre considerando o interesse público e o correto uso dos recursos do Estado. 

 

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