sábado, 2 maio , 2026

Entrevista – Marilisa Boehm, vice-governadora

“Santa Catarina tem homens e mulheres trabalhando lado a lado, em ações que complementam. Não é uma questão de cumprir uma cota”

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a Coluna conversou com a catarinense que ocupa uma das mais altas posições no Governo do Estado e luta, incansavelmente, pela garantia dos direitos femininos. Isso desde os tempos em que ainda atuava como policial civil. A Vice-Governadora, Marilisa Boehm, falou sobre seu projeto voltado para criação de políticas públicas para a mulher e o grave problema dos índices de feminicídio no Estado. Confira:

Pelo Estado – A senhora organizou, em parceria com a Secretaria de Assistência Social, Mulher e Família, uma extensa programação em comemoração ao mês da mulher. Qual é o objetivo desta ação?
Marilisa Boehm – A meta é continuar cumprindo o compromisso que o governador Jorginho Mello e eu assumimos com Santa Catarina, que é cuidar das pessoas. E as mulheres são parte central disso. Estamos colocando em prática uma série de atividades promovidas por diversas secretarias de Estado. Teremos desde um mutirão de mamografias no Hospital Terezinha Gaio Basso, em São Miguel do Oeste, e na Maternidade Carmela Dutra, em Florianópolis, como uma campanha de divulgação da Rede Catarina, voltada à prevenção contra a violência doméstica nas cidades de São Francisco do Sul, São Miguel do Oeste, Itajaí, São Bento do Sul, Fraiburgo, Mafra, Lages, Otacílio Costa, Gaspar, Brusque, Jaraguá do Sul, Guaramirim, Imbituba e Chapecó.
Entre os dias 10 e 14 estaremos nas escolas da rede estadual de ensino, onde falaremos com meninos e meninas sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. Além de palestras e ações voltadas às servidoras públicas ao longo do mês, no dia 24 teremos os lançamentos da campanha SC por Elas, que visa incentivar a adesão da Lei 13.800, que determina a reserva de vagas para mulheres em situação de vulnerabilidade econômica decorrente de violência doméstica e familiar nos editais de licitação para contratação de empresas que prestam serviços continuados e terceirizados; e do Plano Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres.

Pelo Estado – A senhora também está coordenando a criação deste Plano. Como está o andamento deste projeto?
Marilisa Boehm – No dia 24, por meio da FAPESC, será lançado o edital que selecionará os bolsistas que farão a primeira etapa do Plano. São profissionais graduados e pós-graduados que vão fazer um diagnóstico das nossas mulheres. Isso foi uma decisão minha, pois para atender o objetivo desta iniciativa é necessário saber as muitas características de cada região. Afinal, a realidade da mulher do Litoral é diferente da mulher do Oeste, que não é a mesma daquelas que vivem em cidades como Joinville, Florianópolis, Jaraguá do Sul e Criciúma, por exemplo. E será que as catarinenses serranas têm as mesmas oportunidades que as moradoras do Planalto Norte? E isso tudo engloba questões como a situação educacional, acesso à saúde, participação política, condições de trabalho, renda, empreendedorismo entre outros aspectos.
Os bolsistas têm 12 meses, com possibilidade de renovação por mais um ano para compilar todos os dados. A partir deste trabalho, o Governo do Estado poderá criar políticas públicas assertivas e mais eficientes para atender todas as catarinenses.

Pelo Estado – Na atual gestão, temos uma presença forte de mulheres. Ao que a senhora credita isto e qual a importância desta participação feminina nas decisões do governo?
Marilisa Boehm – Isso é mérito do nosso governador Jorginho Mello, que desde o primeiro dia sempre destacou a importância de contar com as mulheres no mandato. Além das muitas e competentes servidoras públicas, que já trabalhavam por Santa Catarina há décadas, ele decidiu que teria ao seu lado mulheres nos postos de gestão, incluindo uma vice-governadora, secretárias de Estado, secretárias adjuntas e em vários outros cargos de gerenciamento.
A importância disso é que Santa Catarina tem homens e mulheres trabalhando lado a lado, em ações que complementam. Não é uma questão de cumprir uma cota. O governador tomou como base o próprio Estado, que foi construído por mulheres e homens. É como sempre digo, não é uma competição. Não queremos ocupar o lugar de ninguém, queremos trabalhar e contribuir.

Pelo Estado – Como a senhora avalia, hoje, os números de feminicídio e violência doméstica no Estado?
Marilisa Boehm – Entre 2019 e 2024 tivemos uma redução de 12% nos casos de feminicídio. Isso é uma boa notícia, mas ainda há muito a ser feito. Foram 335 casos no período, algo que representa uma média de 56 ocorrências por ano. Durante quase 30 anos fui delegada da Polícia Civil em Joinville, onde criei a primeira Delegacia da Mulher da cidade, vi inúmeros casos assim. E sempre tive a certeza de que a violência doméstica é uma questão cultural. Muitos homens hoje, em pleno ano de 2025, com tanta informação e tecnologia, ainda acreditam que as mulheres são sua propriedade. Para reverter esse quadro é necessário um contínuo e coordenado trabalho entre as três esferas de governo, os poderes Legislativo e Judiciário e todas as demais instituições. Comentei com você sobre a atividade de levar o assunto para meninos e meninas em idade escolar. Isso é uma das ações possíveis e necessárias, pois temos que fazer as próximas gerações crescerem sabendo que bater em mulher não é certo.

Pelo Estado – E onde o Estado pode ajudar para diminuir esses números?
Marilisa Boehm – Desde o início do mandato, o governador Jorginho Mello e eu temos trabalhado focados no aprimoramento das Forças de Segurança do Estado. As polícias Civil, Militar e Científica, além do Corpo de Bombeiros, têm recebido investimentos constantes para aquisição de equipamentos modernos e eficientes. Os valorosos homens e mulheres que integram as corporações estão sendo valorizados e trabalham com dedicação e eficiência exemplares. E isso, não tenha dúvida, reflete diretamente na redução de casos e será determinante para que as estatísticas caiam cada vez mais. Além disso, estamos conectados cotidianamente com a Justiça, o Ministério Público e o Parlamento. É um trabalho constante para apuração dos casos, condenação dos culpados e aprimoramento da legislação.

 

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