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Estudo contabilizará a espécie em Tubarão

Lily Farias
Tubarão

É cada dia mais comum ver capivaras no meio das ruas, em Tubarão. E não se trata de um único animal! Geralmente, andam em bandos, com cinco, dez, 20 animais. Esta é uma características da espécie. Capivaras não são solitárias, vivem em grandes grupos familiares. Não teria problema algum conviver com elas se não fosse grande o número de registros de acidentes de trânsito, em especial à noite e com motociclistas, hortas e jardins comidos, ornamentos e portões destruídos e pessoas atacadas.

Para tentar amenizar a situação, a equipe da Fundação Municipal de Meio Ambiente de Tubarão iniciou uma pesquisa para saber a quantidade de capivaras na cidade e se realmente causam problemas à saúde humana. O resultado será entregue aos vereadores assim que estiver pronto, em alguns dias.

“Estimamos que através da pesquisa consigamos informações concretas para podermos tomar providências. A única certeza que temos é que não podemos tirá-las de seu habitat natural, a legislação não permite”, explica o engenheiro agrônomo da fundação, Fabrício da Silva Pedro.

Não há uma estimativa da quantidade de animais, porque até então na há estudos sobre o assunto. Mas eles irão atrás da origem dos bichos, há relatos de historiadores de que existem nos sambaquis da região ossos do roedor.
“São hipóteses que queremos confirmar se são reais ou não. Faremos de tudo para ter um controle das capivaras para podermos de alguma maneira assegurar a qualidade de vida da população tubaronense”, destaca Fabrício.

Tirar os roedores de seu habitat natural não é a solução

Uma das maiores preocupações sobre a grande quantidade de capivaras próximo às casas na beira rio é com relação à transmissão de doenças ao ser humano. Isso porque os roedores têm carrapatos, que podem passar doenças, inclusive letais aos seres humanos. Essa possibilidade é estudada e será confirmada ou não no relatório que a Fundação Municipal de Meio Ambiente entregará à câmara nos próximos dias.

No estudo que a fundação pretende realizar, será formado um grupo com profissionais como geólogo, engenheiro agrônomo e veterinário, entre outros, para pensar em sugestões viáveis para assegurar saúde e segurança dos tubaronenses.
Existia a ideia de levar as capivaras para um outro lugar, no interior da cidade, mas tudo indica que o mlehor caminho será deixar onde elas encontram-se hoje, em seu habitat natural, a beira do rio.
A bióloga Alana Meneghel Reis é a favor de manter o animal em seu habitat natural e justifica a sua opinião alegando que elas sempre estiveram ali. O problema foi o crescimento urbano e a retirada da mata ciliar.

“Elas não estão no lugar errado, nós que colocamos a estrada por onde elas passam. O ideal é colocar placas indicativas ao longo do rio para as pessoas tomarem mais cuidado. Não tem outra forma de viver sem termos que nos adaptar a elas”, analisa Alana.
Esta será a medida que a fundação tomará caso os estudos apontem que não há indícios de que o carrapato seja prejudicial ao homem. “Se houver a constatação, aí teremos que tomar outras medidas, que deverão ser estudadas com muito cuidado”, pontua a bióloga.

População e comportamento de capivaras serão analisados

O comportamento das capivaras também é objeto de estudo dos pesquisadores. Uma vez que há relatos de motoristas que param para ver os cuidados que os animais têm com o grupo ao lidar com situações em que roedores e homens dividem o mesmo espaço.

Quando há uma grande movimentação de carros e os animais silvestres estão do lado oposto do rio e querem voltar, elas comportam-se como protetoras umas das outras. Quando estão em bando, a mais velha espera no meio da rua entre os automóveis, a última capivara, normalmente a menor do grupo, então atravessa a pista na certeza de que todas estão seguras.
“Nunca imaginei que um dia fosse ver isso de um animal que pensamos não raciocinar a este ponto. Sabemos que é instinto, mas é uma coisa rara de se ver”, relata a dona de casa Maria de Lourdes Claudino.

“Temos que ter cuidado especial com estes animais, eles têm mais medo de sair da beira rio do que as pessoas imaginam, por isso, muitas vezes, eles são agressivos, mas é para se proteger”, ressalta o engenheiro agrônomo da Fundação Fabrício da Silva Pedro.
Para a bióloga Alana Meneghel Reis, as medidas a serem tomadas são de educação ambiental. “Futuramente, colocar cercas para delimitar a área delas é uma boa opção. Tirar do local não adiantaria, elas poderiam se espalhar de novo e voltar”, salienta.

O grupo de roedores

As capivaras são roedores que vivem em grupos familiares com 20 ou mais indivíduos, geralmente composto por um dominante, várias fêmeas adultas com filhotes e outros machos subordinados. Estes animais são comumente encontrados onde existe água em abundância, como margens de rios e lagoas. Os roedores alimentam-se de vegetação rasteira e aquática.

Para a espécie, a água é sinônimo de segurança. Quando se sentem ameaçadas, especialmente quando existem muitos filhotes no grupo, o bando nada até escapar. As capivaras são exímias nadadoras e podem ficar submersas por vários minutos.
O período de atividade da espécie varia conforme o local onde vive. Nas cidades, com o agito, elas costumam ser vistas ao longo do dia. Nos períodos quentes, elas modificam um pouco os hábitos e aparecem mais ao fim do dia.
 

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