Início Colunistas Leiturando Eu falava sobre isso até acontecer comigo. 

Eu falava sobre isso até acontecer comigo. 

Foram três semanas sem publicar. Três semanas em que precisei me desligar, literalmente, para tentar me reconectar comigo mesma. 

Pode parecer contraditório. Afinal, sou palestrante sobre dependência tecnológica, escrevi um capítulo sobre dependência digital em um livro de uma conceituada editora da área da saúde e, há anos, falo sobre os riscos do uso abusivo das telas. Inclusive, já vivi de perto essa luta dentro da minha própria casa, quando precisei olhar para a relação do meu filho com a tecnologia. 

Mas saber sobre o problema não nos torna imunes a ele. 

O burnout digital é o esgotamento provocado pela exposição excessiva e contínua às tecnologias, pela hiperconexão e, principalmente, pela sensação de que precisamos estar disponíveis o tempo inteiro. É quando o celular deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a ocupar espaços que deveriam pertencer ao descanso, à família, ao silêncio, ao corpo e à própria mente. 

E os sinais podem aparecer de muitas formas: ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração, cansaço constante, alterações no sono, sensação de estar sempre atrasado ou devendo alguma resposta. No meu caso, vieram também os enjoos, azias, dores no peito e vontade de chorar. Meu corpo começou a dizer aquilo que eu insistia em não ouvir. 

O mais curioso e talvez o mais difícil de admitir é que eu sabia de tudo isso. Eu sabia dos riscos. Eu estudava o assunto. Eu falava sobre isso. 

E, ainda assim, fui me deixando levar pela necessidade de responder, produzir, publicar, acompanhar grupos, estar presente, não perder oportunidades, atender pessoas e agradar a todos. Aos poucos, a vida online foi ocupando espaços demais na minha vida real. 

Então eu precisei parar. 

É a segunda vez que escrevo sobre isso, mas agora a situação piorou de uma forma que tornou essa pausa obrigatória. 

Os enjoos estão passando. A ansiedade de precisar atender todos, a qualquer hora, também. Agora haverá limites. 

Eu queria agradar todo mundo. Não será mais possível. Porque, desta vez, vou precisar pensar em mim primeiro. 

Mesmo sabendo da importância dos grupos, dos contatos e do networking para uma carreira que está em ascensão, foi necessário tomar uma decisão e me desligar temporariamente do mercado. Talvez eu perca algumas oportunidades. Talvez alguém interprete minha ausência como antipatia, desinteresse ou falta de coragem. Acreditem, não é falta de coragem. É coragem. 

Coragem de reconhecer que, naquele momento, continuar conectada a todos estava me desconectando de mim. 

Era hora de olhar novamente com carinho para a minha casa, para os meus amores verdadeiros, para o meu corpo e para a minha mente. É hora de me reconectar com meu quintal, com minhas plantas, com  a natureza! 

Porque, para continuar perseguindo alguns dos sonhos que coloquei naquele meu quadro de desejos, eu precisava, antes de tudo, cuidar da pessoa que os sonhou. 

E essa pessoa também sou eu. 

Nos vemos nas próximas linhas! 

 

 

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