quarta-feira, 17 junho , 2026

EUA acusam Brasil de trabalho forçado na pecuária, mas isentam carne bovina de nova tarifa

Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (2) uma proposta de tarifa adicional de 12,5% sobre produtos provenientes de países que, segundo o governo norte-americano, não adotam medidas suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O Brasil está entre os 60 países citados na investigação que embasa a medida.

Apesar das críticas direcionadas à cadeia pecuária brasileira, a carne bovina ficou fora da lista de produtos que poderão ser atingidos pela nova sobretaxa.

A proposta foi divulgada após uma investigação conduzida pelas autoridades americanas concluir que diversos países falham na fiscalização de produtos ligados ao trabalho forçado. Além do Brasil, a lista inclui a China, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina.

Relatório cita pecuária brasileira

O documento apresentado pelos Estados Unidos dedica um capítulo específico à produção de gado no Brasil e associa parte da competitividade da carne brasileira no mercado internacional à ocorrência de trabalho forçado em segmentos da cadeia produtiva.

Segundo o relatório, há registros e documentos que apontam a existência dessa prática em determinadas áreas da pecuária brasileira.

O governo americano argumenta que a falta de barreiras eficazes contra a importação de produtos potencialmente ligados ao trabalho forçado teria contribuído para ampliar a participação da carne brasileira em mercados internacionais, especialmente na China.

Comparação entre exportações brasileiras e americanas

O relatório destaca que, entre 2015 e 2025, o volume das exportações brasileiras de carne bovina congelada para os mercados analisados praticamente dobrou. No mesmo período, as exportações dos Estados Unidos cresceram 21%.

Os dados apresentados também mostram avanço da participação brasileira nas importações chinesas de carne bovina congelada. Segundo o documento, o Brasil passou de 38% desse mercado em 2021 para 53% em 2025.

Já a participação americana teria recuado de 6% para 2% no mesmo intervalo.

Outro ponto mencionado é a diferença de preços. De acordo com os dados citados, em 2025 o valor médio das importações de carne bovina brasileira foi de US$ 2,40 por unidade, enquanto a carne americana registrou média de US$ 4,20.

Carne bovina fica fora da nova tarifa

Apesar das críticas e da argumentação apresentada no relatório, a proposta americana prevê a isenção da carne bovina da tarifa adicional de 12,5%.

O documento reconhece ainda que fatores como o tamanho do rebanho bovino dos Estados Unidos e questões estruturais do mercado também podem ter influenciado a perda de competitividade da carne americana em relação ao produto brasileiro.

Mesmo assim, as autoridades americanas sustentam que uma proibição mais rigorosa de importações associadas ao trabalho forçado poderia ter ampliado as vendas e exportações dos Estados Unidos para a China nos últimos anos.

Debate pode gerar repercussões comerciais

A proposta ainda deverá passar por etapas de análise e discussão antes de eventual implementação.

O tema ocorre em um momento de forte crescimento das exportações brasileiras de carne bovina e de disputas comerciais cada vez mais intensas entre grandes exportadores de alimentos.

Até o momento, o governo brasileiro não havia se manifestado oficialmente sobre as conclusões apresentadas no relatório americano.

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