No último mês, cerca de 93,9 mil toneladas foram vendidas para o exterior. Apesar dos números positivos na exportação, os avicultores da região enfrentam dificuldades para permanecer no setor.
Lysiê Santos
TUBARÃO
A carne de frango é o primeiro produto de exportação de Santa Catarina e o segundo produtor nacional. Em crescimento, a exportação catarinense de carne de aves fecha o mês de julho com alta de 7,6% no faturamento. Os envios da proteína geraram uma receita de US$ 164,4 milhões no último mês, com 93,9 mil toneladas vendidas para o exterior, 13,7% a mais do que em junho.
No acumulado do ano, as exportações de carnes de aves já ultrapassam as 555,8 mil toneladas e o faturamento passou de US$ 1 bilhão. No entanto, o volume exportado é 4% menor do que no mesmo período de 2016, porém, as receitas já superaram em quase 7% o último ano.
No ano passado, das cerca de 2,1 milhões de toneladas produzidas, 47% são destinadas à exportação e 53% da produção para o mercado interno. De acordo com os números divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, e analisados pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa/Epagri), os principais mercados de destino da carne branca são o Japão, Países Baixos (Holanda e Bélgica), China, Arábia Saudita e Reino Unido.
Os números parecem positivos, porém, para a maioria dos avicultores que produz para empresas integradoras, o cenário é desanimador.
Avicultores da região enfrentam dificuldades no setor
A avicultura tem o maior valor bruto da produção agropecuária catarinense, com um faturamento de R$ 7,1 bilhões em 2016. No entanto, para o pequeno produtor que mantém uma granja está cada vez mais difícil permanecer na atividade. Só na região Sul, há mais de 750 avicultores que diariamente lutam para manter a produção de aves a um custo desproporcional à realidade. A maioria é integrada à empresa JBS, que é uma das maiores indústrias em todo o território nacional.
De acordo com o secretário da Associação dos Avicultores do Sul Catarinense (Avisul), André Tartarê, o avicultor hoje recebe cerca de R$ 0,66 por ave, enquanto que o custo de produção gira em torno de R$ 0,98. “No Sul não temos um bom momento. A empresa reduziu o alojamento e fechou alguns aviários. Essa redução vai dificultar ainda mais, pois diminui o volume de aves por galpão com aumento de custos. O aumento das exportações privilegia as cooperativas que ainda conseguem manter uma remuneração satisfatória, mas para os integrados não muda em nada”, relata.
Os avicultores vem ‘amargando’ prejuízo desde 2011 e se desdobram a procura de outras opções como a produção de leite e fumo para tocar a propriedade. “O produtor recebe o dinheiro que não cobre os seus custos que necessita de altos investimentos em tecnologia para manter a granja em funcionamento e atender as normas da integradora”, ressalta Tartarê.
