São Ludgero
Nunca é fácil receber o diagnóstico de uma doença, principalmente quando a combinação de letras forma a palavra câncer, seja qual for o tipo ou o local afetado. A situação se torna ainda mais complicada quando o paciente é uma criança. Além de todos os efeitos colaterais do tratamento, é difícil abrir mão das atividades e brincadeiras da infância. A estrutura familiar também é abalada.
Apesar de todos os contratempos, o são-ludgerense Samuel Ribeiro Arent, de 12 anos, enfrenta a reincidência do câncer do tipo linfoma não-Hodgkin de forma bastante positiva. “Ele vive dia após dia. Tem muita força e fé. Ao receber o diagnóstico da reincidência do câncer e das alternativas para a cura, disse-nos ‘quando será o transplante?”, relata o pai Everson Arent. A positividade do garoto é fundamental para seguir o tratamento, que terá a aplicação da segunda dose da quimioterapia na próxima segunda-feira, em Florianópolis. Ele realiza o tratamento no Hospital Infantil Joana de Gusmão. “A medicina é muito importante, mas a fé é fundamental. E isso nós temos de sobra”, diz.
A doença foi descoberta em novembro de 2016 com o surgimento de um caroço na virilha do menino. Após aproximadamente três meses realizando uma série de consultas e exames, a família recebeu o diagnóstico. “A médica nos relatou que a doença já estava em estágio avançado e com focos em várias partes do corpo. Chegaram a cogitar a possibilidade de amputar uma das suas pernas, já que a suspeita inicial era de que seria um carcinoma”, detalha o pai. “Foi um momento muito difícil, ele ficou muito fraco e chegou a ir para a UTI, mas nunca perdemos a fé. Ele mostrou uma recuperação e foi submetido a exames, que mostraram que ele não tinha mais nada. Ainda assim, finalizou o tratamento com as quimioterapias”, completa.
Samuel passava por exames de rotina há quatro meses e todos apontavam resultados positivos. Porém, os pais perceberam o surgimento de caroços no couro cabeludo e na cervical. “O do couro cabeludo cresceu rapidamente e procuramos a médica. Ela solicitou que levássemos o Samuel para Florianópolis imediatamente. Após mais exames, recebemos a notícia de que o câncer havia reincidido”, conta Arent. Os exames mostraram que a medula óssea do menino está saudável, o que possibilitará um autotransplante.
O caso ainda passará pela avaliação de um especialista de Porto Alegre (RS). Os trâmites para o procedimento já estão encaminhados e deve ser viabilizado por meio do SUS. “Estamos recebendo muito apoio da prefeitura, mas nem tudo podem disponibilizar e teremos muitas despesas. Ele precisará realizar um PET Scan a cada dois meses, com um custo entre R$ 4 a 5 mil. Além disso, quando não conseguirmos auxílio dos poderes públicos, precisaremos arcar com despesas de locomoção, estada e alimentação durante o tratamento e após o autotransplante”, calcula o pai.
Ação entre amigos
Uma rifa entre amigos foi realizada para auxiliar a família. O bilhete pode ser adquirido pelo valor de R$ 20,00. Outras informações podem ser obtidas com o pai do menino por meio do telefone (48) 99918-6498. As pessoas também podem contribuir com depósito ou transferência bancária para a conta corrente da Caixa Econômica Federal número 21294-9, agência 1070.
“Já estamos recebendo muito apoio e carinho. Agradeço a Deus, à igreja que frequentamos, à empresa em que trabalho e à escola do Samuel pela compreensão da mudança de rotina, à prefeitura por todo auxílio, à equipe médica, aos familiares e amigos, ao departamento de esporte do município. Muito obrigado a todos!”, declara Arent. “Todos abraçaram essa causa. Os amigos que não podem ajudar em dinheiro pegam blocos para vender. Na minha conta bancária tinha um depósito de R$ 10,00. Isso é muito emocionante, pois uma pessoa que não tenha condições financeiras tirou R$ 10,00 do seu orçamento para nos ajudar”, relata.
Samuel, o pai, a mãe Maria Fabiana e o irmão mais novo Lucas Emanuel seguem confiantes na cura da doença. “A fé em Deus e todo o apoio que recebemos nos dá a certeza de que venceremos mais essa batalha”, conclui Arent.

