FOTO FIESC Divulgação Notisul
Tempo de leitura: 3 minutos
O presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Gilberto Seleme, manifestou preocupação com o avanço da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. Durante passagem pela região de Tubarão, o dirigente defendeu que eventuais alterações nas jornadas de trabalho sejam definidas por meio de negociações entre empregadores e trabalhadores, sem a adoção de uma regra única para todos os setores da economia.
Segundo Seleme, a diversidade de atividades econômicas existentes no país exige soluções específicas para cada segmento produtivo.
“Existem mais de duas mil profissões no Brasil. Cada setor possui características próprias e necessidades diferentes. Por isso, defendemos a livre negociação entre sindicatos e o setor produtivo”, afirmou.
Fiesc destaca diferenças entre os setores produtivos
De acordo com o presidente da entidade, muitas indústrias catarinenses já operam em modelos que garantem dois dias de descanso por semana, sem reduzir a carga horária atualmente prevista na legislação.
Seleme ressaltou que grande parte do setor industrial trabalha em jornadas distribuídas ao longo de cinco dias, mantendo as 44 horas semanais estabelecidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Para ele, uma eventual redução da jornada sem mecanismos de compensação pode resultar em aumento de custos operacionais para as empresas.
“Cada atividade possui uma realidade diferente. O que funciona para um segmento pode não funcionar para outro”, observou.
Impactos econômicos são apontados como preocupação
Durante a visita à região, o dirigente também mencionou setores que dependem de operação contínua, como transporte, serviços e condomínios.
Segundo Seleme, nesses casos, a diminuição da jornada poderia exigir a contratação de novos trabalhadores para manter o mesmo nível de atendimento e funcionamento.
“Quem acaba pagando essa conta é a população. Em muitos casos, seria necessário contratar mais trabalhadores para manter o mesmo nível de serviço”, argumentou.
A avaliação da Fiesc é de que qualquer mudança nas regras trabalhistas deve considerar os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores.
Debate segue no Congresso Nacional
A proposta relacionada ao fim da escala 6×1 avançou recentemente no Congresso Nacional. O texto foi aprovado na Câmara dos Deputados e agora aguarda análise do Senado Federal.
No Senado, parlamentares ainda discutem os possíveis efeitos da medida sobre o mercado de trabalho, a produtividade e a geração de empregos. O tema também mobiliza entidades empresariais, sindicatos e representantes de diferentes categorias profissionais.
Enquanto o debate continua em Brasília, a Fiesc defende que eventuais mudanças sejam construídas por meio do diálogo entre trabalhadores e empregadores, respeitando as particularidades de cada atividade econômica.
O que prevê a discussão sobre a escala 6×1
A escala 6×1 é um modelo em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. A proposta em discussão busca alterar a forma de distribuição da jornada de trabalho, tema que tem gerado manifestações de entidades empresariais e representantes dos trabalhadores em todo o país.

