Em entrevista ao podcast Notisul Negócios, o presidente da Fundação InoversaSul, professor Valter Schmitz, avaliou o cenário enfrentado pela instituição ao longo de 2025 e detalhou os principais passos previstos para 2026. Segundo ele, o último ano foi um dos mais desafiadores da história recente da fundação, especialmente por conta do processo de saneamento organizacional após a transferência da mantença.

Ano desafiador e saneamento de passivos
De acordo com o presidente, 2025 exigiu decisões estruturantes profundas, com foco na resolução de passivos históricos. Um dos principais impactos foi a decisão judicial em uma ação trabalhista coletiva, que resultou em um passivo estimado em cerca de R$ 36 milhões.
Apesar do impacto financeiro, Schmitz afirmou que a fundação conseguiu se reorganizar e já conclui as etapas finais de saneamento, entrando em 2026 em uma condição mais equilibrada. Entre as medidas adotadas está a alienação de imóveis, processo que ainda passa por debates com o Ministério Público quanto à forma de execução.
Reconhecimento institucional e avanços em inovação
Mesmo diante das dificuldades, o presidente destacou que 2025 também foi um ano de importantes conquistas. A Fundação recebeu reconhecimento de instituições como o Google Education, a Fapesc e o Sebrae, sendo destaque em editais e premiações voltadas à inovação e à qualidade educacional.

Outro marco foi a criação do Código de Ética e Conduta, inexistente até então na instituição. A iniciativa faz parte da implantação da área de compliance, considerada fundamental para fortalecer a governança, a transparência e a segurança institucional.
UNITV, Colégio Dehon e transformação digital
Na área da comunicação, Schmitz ressaltou a transformação da UNITV, que passou a operar como um sistema integrado de comunicação, com TV, portal e produção digital. A proposta para os próximos anos é ampliar o papel da emissora como geradora de conteúdo educativo e comunitário, disponibilizando material qualificado para outros veículos de comunicação.

Já no Colégio Dehon, o foco tem sido a digitalização transversal do ensino, sem perder o modelo presencial. A tecnologia, segundo o presidente, atua como ferramenta de apoio ao aprendizado, com professores capacitados e projetos pedagógicos em constante atualização.
2026: capacitação, inteligência artificial e robótica
Para 2026, a prioridade inicial será a capacitação do corpo docente, incluindo os primeiros profissionais ingressos por concurso público na história da fundação. O processo marca uma mudança significativa na forma de contratação e gestão de pessoas.
Entre as novidades previstas estão:
Uso orientado da inteligência artificial no processo educacional;
Implantação do Lego Lab, com foco em robótica e ambientes maker;
Ampliação da formação prática em áreas como lógica, programação e matemática aplicada.
Segundo Schmitz, a tecnologia será trabalhada de forma transversal, integrada às disciplinas, e não como uma matéria isolada.
Investimentos em infraestrutura e patrimônio
A fundação também iniciou investimentos em infraestrutura, especialmente no Colégio Dehon, com cerca de R$ 2 milhões destinados à recuperação de banheiros, redes elétricas, áreas comuns e melhorias estruturais. O objetivo é preservar o patrimônio institucional, avaliado em mais de R$ 600 milhões, e garantir segurança e qualidade nos ambientes de aprendizagem.

Governança, sucessão e transparência
Outro ponto destacado foi o avanço nos processos de governança, incluindo a profissionalização da sucessão de cargos de liderança. A instituição está implantando metodologias de avaliação de desempenho executivo, com foco em competência, habilidades, atitudes e equilíbrio emocional.
A fundação também reforçou o compromisso com a transparência, mantendo um Portal da Transparência que, segundo o presidente, está entre os mais completos do estado entre instituições similares.
Legado e mensagem à comunidade
Ao encerrar a entrevista, Valter Schmitz destacou que processos de transformação naturalmente geram desconforto, mas são necessários para garantir sustentabilidade, impacto social e credibilidade institucional.
“Se não gera desconforto, é porque não está havendo transição”, afirmou, reforçando que o objetivo da gestão é deixar uma fundação mais moderna, transparente e preparada para o futuro.

