Karen Novochadlo
Tubarão
Hoje, os professores da rede estadual terão uma audiência com o governador Raimundo Colombo, em Florianópolis. Em Tubarão, os professores se reunirão com os pais de alunos no salão paroquial da Igreja São José Operário, em Oficinas, às 14 horas. O objetivo é explicar os motivos da greve e as reivindicações dos professores.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) realiza, também hoje, o enterro simbólico do plano de carreira em Tubarão.
Ontem, o governador encontrou-se com o ministro da educação, Fernando Haddad. Eles discutiram a situação catarinense. O ministro afirmou que não há recursos federais para destinar ao pagamento do piso nacional (R$ 1.187,00) no estado. Haddad justificou que o ministério não pode enviar verbas que excedam os 10% do Fundeb.
Haddad sugeriu que Raimundo envie um ofício ao MEC, para pedir a publicação de um acórdão pelo Supremo Tribunal Federal. O documento será levado à presidenta Dilma Rousseuff, que o encaminhará ao relator do processo. Este acórdão está realcionado ao processo que Santa Catarina moveu e perdeu para não pagar o piso nacional.
Enquanto o governador estava em Brasília, lideranças do Sinte reuniam-se em Florianópolis para avaliar as próximas ações. De acordo com o comando, 90% dos professores estão em greve.
A categoria reivindica o pagamento do piso nacional como salário base e está parada há 16 dias. E é contra o achatamento da tabela de carreira.
Na rede municipal, professores são impedidos de entrar na sala
Enquanto os professores da rede municipal de Tubarão mantêm-se com os braços cruzados, os pais buscam alternativas para deixar as crianças enquanto trabalham. A dona de casa Maria Bernadete Mendes, 62 anos, cuida do neto Cauã Fernandes Mendes, 7 anos, enquanto as aulas no São Judas Tadeu, Colégio Dehon, não são realizadas. "Geralmente, fico com ele só um período, porque o meu filho trabalha", explica. Agora, a aposentada tem de cuidar do menino de manhã e à tarde.
De acordo com a secretaria da educação da prefeitura, algumas escolas estão possibilitando que os pais deixem seus filhos em outras salas. Mas isto depende da direção e do espaço.
Ontem, o Sindicato dos Trabalhadores na Área da Educação da Rede Municipal de Tubarão (Sintermut) promoveu um apitaço pelas ruas do centro da cidade. Também visitou algumas escolas. Na Manoel Rufino Francisco, no bairro Passagem, a entrada dos professores não foi permitida. Eles haviam marcado uma reunião com os pais dos alunos às 19 horas. Segundo a presidenta do Sintermut, Laura Isabel Guimarães Oppa, um ofício da secretaria da educação proibiu o acesso dos servidores.
O Notisul tentou entrar em contato com o secretário de educação da prefeitura, Felipe Felisbino, mas não obteve sucesso. Hoje, os professores realizam panfletagens e coletam adesões para um abaixoassinado.
Amanhã, será realizada em reunião entre o Sintermut e a prefeitura. Os professores reivindicam o pagamento do piso nacional (R$ 1.187,00) como salário inicial, sem perda de benefícios. A prefeitura já sinalizou que pagará o piso.
