Fatos mostram que Michel Temer formou um governo de salvação pessoal (para salvar pessoas que saquearam o Brasil), em vez de um governo de “salvação nacional”, como afirmou no discurso de posse.
Primeiro foi a afirmação do ministro do Planejamento, Romero Jucá – publicada no jornal Folha de São Paulo (23/05/2016): “Um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional com o Supremo, com tudo e delimitar as investigações onde está”. Jucá foi afastado do ministério com apenas 12 dias de governo.
Depois foi o ministro da Transparência, Fabiano Silveira que – em gravações exibidas pelo Fantástico (29/05/2016) – orientou Renan Calheiros, presidente do Senado Federal, sobre como não ser transparente para escapar da Lava Jato. Fabiano também caiu após 19 dias de governo.
Então, no discurso, o afastamento da presidente Dilma objetiva salvar o povo brasileiro do caos na economia e da roubalheira, embora ela tenha sido acusada, oficialmente, de ter praticado ‘pedaladas fiscais’.
Na prática, foi para barrar a Lava Jato para que não atingisse cardeais do PMDB, sócios majoritários do PT, e de outros partidos na ladroíce, conforme os ministros demitidos. Para isso, seria preciso trocar Dilma por Temer, disse Jucá.
Isso explica a súbita mudança de lado de dezenas de deputados federais e senadores? De governo Dilma migraram para a oposição, e rapidamente para o governo Temer. Com um impeachment só (ou com uma conspiração só, como disse a revista Veja), ganharam ou aumentaram ministérios e outros cargos; salvariam a própria pele – nos ditos de Jucá – e continuariam vistos pelo povo como ‘salvadores da Pátria’.
Que “O povo foi usado, outra vez”, para viabilizar o impeachment, eu já havia mencionado em artigo publicado no dia 26/04/2016.
Afinal, deputados federais – 303 (dos 513) estão envolvidos em algum crime, segundo a ONG Transparência Brasil – não votaram as medidas de ajuste fiscal para que a ruína da economia chegasse ao bolso da população e a empurrasse para as ruas para pedir a saída de Dilma. Tiveram ajuda primordial das revelações legais e ilegais da Lava Jato.
O povo que legitimou a cassação de Dilma, no entanto, manifestou, por meio de pesquisa Datafolha (10/04/2016), que quer a renúncia de Temer (60%) e nova eleição para Presidente da República (79%). Governo Temer significa, então, traição ao protagonismo e à vontade manifesta da maioria da população, desde as gigantescas manifestações de junho de 2013, que pediram eficiência e ética no serviço público, todavia diversos novos ministros são investigados pela Lava Jato.
Governo de “salvação nacional” (‘pacificação da sociedade brasileira’, êxito e distribuição justa da economia) exige que não pairem dúvidas sobre os governantes. O povo, antes de se desencantar com a política, deve lembrar que a revelação de tantos e horrendos fatos é resultado da pressão popular e do funcionamento da justiça para todos. Deve continuar pressionando por mais transparência, eficiência e punibilidade para os comprovadamente culpados.