Na política, no que se fale de representatividade estadual, Heriberto Hulse, nascido a 30 de abril de 1902, nas proximidades da Rua São Manoel – em outros tempos mais conhecida por “Rua do Cinema”, no centro da cidade – foi um dos tubaronenses mais destacados. Fez-se homem público após ingressar na União Democrática Nacional (UDN), tradicional partido brasileiro que, em seu tempo, principalmente com o PSD e PTB, disputava a preferência do leitorado nacional.
Heriberto ascendeu diversos cargos, até chegar à vice-governança e governador do estado. Instalou vários comitês da sigla udenista em municípios catarinenses.
Antes, ainda criança e até alcançar a vida adulta de 22 anos, quando ainda encaminhava seu futuro, morando em terras tubaronenses com os pais, Augusto Hulse e Delfina Orige Hulse, o menino e jovem Heriberto tocou-se a estudar com total afinco, tal qual Cecilia, Lucilia, Alda, Paula, Hedite e Oswaldo, seus seis irmãos. Coube a ele, ainda, fazer e concluir o curso primário em São Ludgero, lugar bem próximo da Cidade Azul, bastante conhecido por possuir um ótimo seminário. Mais adiante, já na sua terra natal, tornou-se técnico em contabilidade, formação que exerceu plenamente.
A título de identificação e curiosidade, atendendo às origens, o tubaronense Heriberto Hulse, adepto ao concorrido esporte da caça – que em seu tempo era praticado sem qualquer proibição e sentimento de culpa -, ao se ter como adulto, de tipo e jeito, era o mais fiel dos retratos de um alemão; desses que estamos acostumados a ver em bem humorados retratos e charges: alto (bem alto), gordo, de cútis avermelhada e bochechudo.
Em 1924, Heriberto Hulse, ainda moço, depois de uma rápida passagem como balconista da firma Martins Secos & Molhados, em Tubarão, alçou voos mais altos e deixou sua cidade para ganhar a vida na vizinha Criciúma. Para lá se mudou com toda bagagem e fixou residência por muitos anos. Fora, então, trabalhar nas Organizações Lage, de Henrique Lage, fortíssima empresa na extração e transporte de carvão em Santa Catarina. Lá, gerenciou a Companhia Brasileira Carbonífera de Araranguá (CBCA). Em seu melhor tempo, o mesmo precioso minério ficou conhecido por “Ouro Negro”.
Na política, galgando postos, Heriberto Hulse, que hoje é nome de estádio de futebol (Criciúma E.C), ruas, pontes (a ponte do centro da cidade de Tubarão) e colégios em toda Santa Catarina, foi deputado estadual de 1935 a 1937; secretário da fazenda na gestão Irineu Bornhausen em 1954 e, em 1955, vice-governador, quando Jorge Lacerda chegou ao posto máximo do estado.
Por conta do falecimento do titular, em 16 de junho de 1958 – quando em um acidente de avião morreram Jorge Lacerda, Leoberto Leal e Nereu Ramos; Heriberto assumiu o governo, cumprindo mandato de 19 de junho daquele ano até 31 de janeiro de 1961. Em seu lugar, assumiu Celso Ramos, empossado na mesma data.
Ato contínuo, Heriberto, que era casado com Lucília Correa Hulse e tinha os filhos Rui e José, foi nomeado diretor vice-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e, em 1965, presidente do Conselho Administrativo da Caixa Econômica Federal de Santa Catarina. Faleceu em Florianópolis, em 11 de novembro de 1972.

