Laguna
Após uma reunião entre representantes do Ministério Público e fiscais de setores da prefeitura de Laguna, uma das maiores operações nos últimos anos foi deflagrada ontem. O Ravena Cassino e Hotel foi vistoriado por profissionais da Vigilância Sanitária, Defesa Civil, Fundação Lagunense do Meio Ambiente (Flama), Secretaria de Transportes, Obras, Pesca, Desenvolvimento Rural e Aquicultura, e Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico e Social.
Várias irregularidades foram constatadas, como crime ambiental, poluição, ligação clandestina de esgoto à rede pluvial, manipulação de alimentos na cozinha do restaurante com água de ponteira sem análise hidrossanitária, falta de licença ambiental e de alvará de funcionamento. Foram aplicados vários autos de infração e notificações, o que totalizam multas de cerca de R$ 850 mil. O imóvel teve interdição total.
Os 162 hóspedes precisam deixar as dependências do hotel. A fiscalização da Flama emitiu um termo que obriga a saída imediata. O titular da Secretaria de Planejamento, Rodolfo Michels Godinho, estipulou um prazo de 24 horas para a saída voluntária. “Caso contrário, tomaremos outro tipo de atitude. Este prazo expira às 11 horas de amanhã (sexta-feira). Se não chegar até nosso conhecimento e de forma oficial algum tipo de mandado de segurança ou liminar, vamos remover todos do hotel, conforme esclarece as notificações entregues à gerência durante as vistorias. Estamos agindo dentro da lei”, detalha Godinho.
Operações vão continuar
Este tipo de operação vai continuar. Outros hotéis, pousadas, restaurantes e lanchonetes serão averiguados. Todos os bairros receberão os fiscais, mas não haverá um aviso prévio. A intenção da prefeitura é, principalmente, acabar de vez os problemas gerados pelas ligações criminais de esgoto. Este tipo de poluição acaba indo para as praias e para a Lagoa Santo Antônio dos Anjos, o que prejudica, em primeiro lugar, a saúde da população e o desenvolvimento da fauna marinha. No Ravena, há 155 apartamentos no local vistoriado. Setenta e três estavam ocupados, ou seja, a taxa de ocupação estava próxima de 49%. Somente a água da piscina, que necessita de uma analisa mensal obrigatória, estava de acordo. “Eles têm uma ponteira (poço) que utilizavam para cozinhar os alimentos. Este espaço estava bem ao lado de uma caixa de esgoto. É bem complicado este tipo de situação”, informa o diretor da Vigilância Sanitária, Jadson de Oliveira Fretta. Após a desocupação de todos os hóspedes, os responsáveis pelo imóvel têm 20 dias para regularizar as infrações relacionadas à poluição.
Contato
Um contato foi feito com o hotel, porém a direção não estava e um funcionário informou que todas as providências serão tomadas para regularizar a situação.

