Dia 7 de setembro comemoramos a independência do Brasil. Temos como grande herói do processo Dom Pedro 1º. Tradicionalmente vemos imperador como grande idealizador e herói da independência. Porém, como se deu o processo?
Não tivemos outros nomes que lutaram pela nossa independência? É durante o século 19 que o mundo passou por grandes transformações. As velhas estruturas feudais estavam superadas. A Revolução Industrial atingia seu auge na Inglaterra, e expandia-se por todo o planeta. A modernidade firmava-se em toda a estrutura da sociedade, com inovações tecnológicas, meios de transporte.
No Brasil, a Revolução Industrial está ligada diretamente ao processo de independência. O processo da independência brasileira deve-se ao conjunto em que se desenvolveu, ou seja, pelas transformações operadas na Europa desde os fins do século 18, que se refletiam nas áreas coloniais e impulsionaram a solução de autonomia. Porém, esse foi um processo que se iniciou em 1789.
Um dos primeiros movimentos que luta pela independência do Brasil foi a Inconfidência Mineira. Este movimento, ocorrido na então capitania de Minas Gerais, pretendia eliminar a dominação portuguesa e criar uma nação livre, independente da opressão da metrópole. No Brasil, o seu principal objetivo era a independência. Porém, logo foi controlado pelo governo central.
Outros movimentos de emancipação também foram controlados, como a Conjuração do Rio de Janeiro, em 1794, a Conspiração dos Suaçunas, em Pernambuco (1801), e a Revolução Pernambucana de 1817. Esta última já na época em que Dom João 6º havia se estabelecido no Brasil. Apesar de contidas, todas essas rebeliões foram determinantes para o agravamento da crise do colonialismo no Brasil, já que trouxeram pela primeira vez os ideais iluministas e os objetivos.
Todos estes movimentos produziram nomes que lutaram pela independência, como Tiradentes e Frei Caneca, ambos assassinados pelo governo imperial. A independência não marcou nenhuma ruptura com o processo de nossa história colonial. As bases sócioeconômicas (trabalho escravo, monocultura e latifúndio), que representavam a manutenção dos privilégios aristocráticos, permaneceram inalteradas.
O “7 de setembro” foi apenas a consolidação de uma ruptura política que se iniciou em 1789. A obra ‘Independência ou morte, de Pedro Américo (foto), é real? Os fatos desencadearam-se conforme a pintura? Devemos analisar os fatos e desconstruir a história como ela é colocada, buscar outras comparações para que, com isso, possamos fechar as lacunas abertas pela historiografia, visando uma análise mais profunda dos fatos.
O fato é: a independência nos trouxe maior autonomia política? Hoje somos totalmente livres? Podemos pensar e agir conforme vontade própria? Todo o sistema e a estrutura vigente nos permite essa liberdade? São questões que certamente merecem ser refletidas.

