Wagner da Silva
Braço do Norte
Os pontos negativos e positivos da possível instalação da Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC), em Anitápolis, serão debatidos hoje, às 16 horas. A audiência pública, a primeira na região, será no salão paroquial de Braço do Norte.
O posicionamento contrário de entidades e de representantes políticos do Vale e de Tubarão é voltado aos recursos hídricos, que, segundo eles, serão mais afetados. Já na região das Encostas da Serra Geral, a maior preocupação é quando ao impacto no turismo e nas atividades agroecológicas.
Além de toda a mobilização dos últimos meses, manifestações foram feitas em Braço do Norte, onde panfletos foram distribuídos com o intuito de convocar a população a participar da audiência pública de hoje.
Fatma entregará licença
ambiental de instalação em breve
O processo de implantação da Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC) em Anitápolis iniciou há mais de três anos com o estudo de impactos ambientais (EIA/Rima). A IFC pertence às multinacionais Bunge e Yara, duas das maiores empresas do setor de fertilizantes do mundo. Entre os aspectos estudados, estão os recursos hídricos, a disponibilidade de energia, questões relacionadas à flora e à fauna do local, estrutura rodoviária e saúde.
Segundo informações da Fatma, que defende a implantação da IFC, a empresa atendeu as exigências e, por isso, a Licença Ambiental Prévia (LAP), que atesta a viabilidade do empreendimento, foi liberada. A decisão foi baseada em pareceres técnicos e jurídicos.
O próximo passo, a Licença Ambiental de Instalação (LAI), deve ser liberado em breve pela Fatma. Para obter esta licença, o empreendedor precisa apresentar ao órgão ambiental catarinense o projeto físico e operacional da obra, com todos os seus detalhes de engenharia, e o demonstrativo de como serão atendidas as condições e restrições impostas pela LAP. Somente após a expedição da LAI as obras poderão iniciar.
IFC garante que não há riscos ambientais
O projeto apresentado pelo engenheiro sanitarista e ambiental Adriano Pina Pereira, responsável pelo setor de meio ambiente neste projeto da Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC), reitera que a empresa efetivou o processo de implantação em 2005 e possui mais de 20 mil horas de trabalho de pesquisa para a formulação do Estudo e Relatório de Impactos Ambientais (EIA/Rima).
Nesta documentação, a empresa apresenta o conteúdo dos estudos de impactos ambientais, viabilidade do empreendimento, riscos, programas e medidas para minimizar qualquer impacto negativo. O material também inclui os questionamentos do Ministério Público Federal e Fatma, entre outros dados técnicos, para obtenção da Licença Ambiental Prévia (LAP).
Uma das maiores preocupações das entidades contrárias à instalação da IFC é voltada aos riscos de rompimento da barragem. O consultor técnico e responsável pelo monitoramento da barragem, o geólogo da IFC Paulo Abrão, explica que as melhores práticas de engenharia serão utilizadas na obra. Além disso, ele assegura que a estrutura não concentrará resíduos tóxicos e não haverá envio de materiais aos rios da região.

