Angelica Brunatto
Tubarão
Mesmo sem denúncia formal de pais, o Ministério Público de Tubarão instaurou um inquérito civil para apurar a situação do Colégio Energia. O objetivo é verificar as responsabilidades e adotar providências sobre o descumprimento dos contratos de prestação de serviço.
Paralelamente, as negociações entre o Comitê de Pais e Professores do agora extinto Energia de Tubarão com a Fundação Unisul estão bem adiantadas. Na tarde de ontem, foram realizadas mais reuniões.
O nome da nova instituição de ensino ainda não foi definido. Há especulações que leve o nome da Unisul. Agora, falta resolver algumas questões jurídicas para que a universidade possa abrir uma ramificação.
Para que a nova escola atue nas mesmas instalações do antigo Energia, o comitê negocia com o proprietário do imóvel. “Já conversamos, conseguimos bons resultados. A princípio, continuamos ali”, revela o coordenador pedagógico Ronnie Peterson Baasch.
Todos os professores têm a garantia de que serão contratados pela Unisul. Novos contratos serão feitos, também, entre a escola e os alunos. “Vão ser feitas novas matrículas”, conta o assessor Ramires Linhares. Para hoje, estão marcadas novas reuniões entre o comitê e a fundação.
Com a parceria firmada com o Comitê de Pais e Professores, os alunos do novo colégio passarão a usar um novo uniforme e outros materiais didáticos. Os estudantes e professores também terão acesso à infraestrutura da Unisul, como, por exemplo, poder usufruir da biblioteca, laboratórios e internet.
Colégio Energia encerra atividades em Tubarão
Dezenas pais compareceram à Central de Plantão Policial esta semana para registrar boletins de ocorrência. A intenção é sustar os cheques dados previamente à instituição de ensino. Na sexta-feira, o colégio Energia de Tubarão recebeu ordens da administração de Criciúma para que também fechasse as portas. Com a união de pais e professores, essa nova escola vai garantir o ano letivo para os quase 800 alunos que o colégio tubaronense abrigava.
Relembre o caso
• Na última semana, o Colégio Energia de Criciúma recebeu uma ordem de despejo. A instituição de ensino não estaria pagando os aluguéis desde 2008, o que acarretou em uma dívida de R$ 3,8 milhões.
• Muitos pais foram pegos de surpresa com a decisão. Quase dois mil alunos ficaram sem local para estudar. Para ajudar, algumas escolas receberam estudantes, e uma delas chegou a prorrogar a data de início do ano letivo.
• Na sexta-feira, uma nota oficial foi emitida pelo colégio, decretando falência. O diretor, Ugo Accasto, que assinou o documento, argumentou que, desde que assumiu a instituição, em 2006, já haviam dívidas.
• Todos os objetos, como lousas digitais, aparelhos de ar-condicionado, móveis e computadores, serão deixados no local, à disposição da justiça, que dará o destino para indenizar os prejudicados.
• Além dos patrimônios da escola de Criciúma, conforme a nota emitida, ainda há cerca R$ 2 milhões em cobranças de pais inadimplentes. Esses valores vão colaborar com a reparação dos prejuízos.

