Mirna Graciela
Tubarão
Um inquérito foi instaurado ontem pela Polícia Civil para apurar a tentativa de assalto ao Supermercado De Pieri, no bairro Vila Esperança, que resultou na morte de um dos dois ladrões, na noite terça-feira. Israel Queiroz Nazário, 14 anos, foi alvejado por um policial militar.
O menor morreu quando chegou ao Hospital Nossa Senhora da Conceição. A delegada Jucinês Dilcinéia Ferreira de Matos, da Central de Plantão Policial (CPP), que coordena o inquérito, classificou o crime como lesão corporal seguida de morte.
“A atitude preliminar do policial foi conter a ação criminal. Para configurar homicídio doloso, a pessoa tem que ter intenção de matar. Os elementos deste crime são negligência, imprudência e imperícia. Nenhum destes o policial cometeu”, justifica a delegada.
Conforme ela, o militar teve a intenção de lesionar, pois os tiros foram disparados na região do abdômen para baixo, e não em direção à cabeça do adolescente infrator, que saiu do estabelecimento ainda com vida.
A delegada solicita às pessoas que estavam no supermercado e que desejam colaborar com as investigações que compareçam à CPP (no centro da cidade, próximo ao Museu Willy Zumblick). Os nomes das testemunha serão preservados.
O policial militar tem 28 anos e atua há seis na corporação.
Segundo assaltante continua foragido
Dois jovens chegaram ao Supermercado De Pieri, no bairro Vila Esperança, em Tubarão, em uma motocicleta Hona Biz. A tática usada é utilizada com frequência pelos ladrões.
Um deles ficou do lado de fora, enquanto Israel Queiroz Nazário, 14 anos, entrou armado no estabelecimento. Mas o que eles não imaginavam era que um policial militar fazia compras e percebeu os dois em atitude suspeita.
Quando o menor estava quase dentro do supermercado, o policial lhe pediu que largasse a arma, mas ele insistiu e caminhou em direção aos caixas. Desta forma, para impedir o crime, o policial efetuou os disparos.
Mesmo atingido, o menor continuou, mas caiu na entrada do estabelecimento. Ainda levantou e revidou com tiros contra o policial. Felizmente, ninguém foi atingido. O outro criminoso, que aguardava na rua, fugiu quando percebeu o tumulto – e segue foragido.
“Infelizmente, mais uma morte de um adolescente. Ninguém deseja isto, nem nós, mas o policial tem o dever de agir, mesmo de folga, em defesa da sociedade”, lamenta o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar de Tubarão, tenente-coronel Ângelo Bertoncini.
O menor já havia entrado em confronto com policiais e sido baleado em outra oportunidade, em assalto ao Posto Ipirangão, em 2010. “Ele reagiu à voz de prisão e atirou contra os policiais”, conta Bertoncini.
"Felizmente, nenhum inocente foi atingido. Quanto ao garoto, foram dadas várias oportunidades de ressocialização, mas ele optou pela vida criminosa. Neste caso, de uma recuperação, a primeira ação tem que ser interna, o indivíduo tem que querer sair desta vida e aceitar a ideia."
Tenente-coronel Ângelo Bertoncini – comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar de Tubarão

