Florianópolis
A crise na suinocultura continua forte em todo o Brasil e tem assustado muita gente. Duas cidades da região já entraram em situação de emergência, e muitos produtores já começaram a procurar novos ramos. Porém, uma notícia trouxe um pouco de esperança para os produtores da região.
A medida do governo do estado que isenta o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) Interestadual para a saída de suínos vivos, e de carne suína fresca, resfriada ou congelada, iniciou no começo desta semana. Esta medida é válida até o dia 31 do próximo mês.
“A decisão atende a uma reivindicação apresentada pelos suinocultores nas reuniões realizadas em Concórdia e Braço do Norte na última semana e é mais uma medida para tentar minimizar a crise que afeta o setor”, destaca o secretário de estado da agricultura e da pesca, João Rodrigues.
Além de isentar o ICMS, o governo do estado já adotou outras medidas para dar suporte aos produtores catarinenses. Um exemplo é o aumento de carne suína nas refeições oferecidas pelo estado nas escolas, abrigos e centros de atenção social, hospitais e nos presídios. Uma campanha publicitária também foi lançada nas televisões para incentivar o consumo do produto.
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento também procura soluções
O setor da suinocultura, em todo o Brasil, estima um prejuízo de R$ 4 bilhões. Em Santa Catarina, deverá haver uma perda de R$ 1 bilhão. O estado catarinense, com mais de oito mil produtores, é responsável por 25% da produção nacional. No ano passado, os criadores de suínos arcaram com uma perda de R$ 41,00 a R$ 60,00 por animal.
Segundo as estimativas dos produtores, a produção para este ano em Santa Catarina deve chegar a 800 mil toneladas, com destinação de 200 mil para consumo dos catarinenses e outras 150 mil toneladas para exportação. Com isto, ainda deve sobrar 450 mil toneladas. O reflexo direto é o baixo preço pago ao consumidor.
Se a crise traz uma lição é de que não é mais possível produzir em larga escala – principalmente pelo alto custo – sem ter contrato da comercialização.
Para tentar melhorar a situação dos suinocultores, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) também procura soluções. O vice-presidente da Frente Parlamentar da Suinocultura, deputado federal Valdir Colatto (PMDB), participou de uma audiência com o secretário de política agrícola do ministério, Caio Rocha. O objetivo foi cobrar a agilidade nos trâmites de liberação dos atos para a suinocultura.
Entre os atos divulgados, estão a prorrogação das dívidas de custeio e investimento, liberação de R$ 200 milhões para aquisição de leitões e o complemento de R$ 0,40 a R$ 0,60 o quilo de suíno para venda.

