O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) revogou o visto do assessor do governo dos Estados Unidos Darren Beattie, ligado ao presidente Donald Trump, que pretendia viajar ao Brasil na próxima semana. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (13).
Beattie planejava visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na unidade prisional conhecida como Papudinha, em Brasília. No entanto, o encontro acabou sendo vetado após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por autorizar visitas ao ex-presidente.
Segundo fontes da diplomacia brasileira, a revogação do visto segue o princípio internacional de reciprocidade, frequentemente aplicado em relações diplomáticas entre países.
Lula cita restrições a ministro brasileiro
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a entrada de Beattie no Brasil só será possível quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, puder viajar aos Estados Unidos.
De acordo com Lula, a medida é uma resposta às restrições impostas anteriormente pelos norte-americanos.
Em agosto do ano passado, os Estados Unidos cancelaram o visto da esposa e da filha de Padilha, de 10 anos. O visto do ministro não chegou a ser revogado porque já estava vencido na época.
Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela imprensa, o governo brasileiro também avalia que o assessor norte-americano não informou corretamente o motivo da viagem ao solicitar o visto.
Pedido de visita foi negado pelo STF
Na terça-feira (10), a defesa de Jair Bolsonaro pediu ao STF autorização para que Darren Beattie visitasse o ex-presidente na prisão.
Inicialmente, Alexandre de Moraes autorizou o encontro, mas determinou que ele ocorresse na quarta-feira (18), dia regular de visitas na unidade prisional.
Posteriormente, após novo pedido da defesa para antecipar a visita, Moraes solicitou esclarecimentos ao Itamaraty sobre a agenda diplomática do assessor norte-americano.
Em resposta, o ministério afirmou que a reunião entre o representante do governo dos Estados Unidos e o ex-presidente brasileiro poderia caracterizar ingerência indevida em assuntos internos do Brasil.
Diante disso, o ministro reconsiderou a decisão e suspendeu a autorização para o encontro.
Agenda da viagem gerou questionamentos
Segundo a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Darren Beattie viajaria ao país para promover a agenda de política externa chamada “America First”.
A doutrina, associada ao governo de Donald Trump, defende a priorização dos interesses estratégicos dos Estados Unidos, incluindo mudanças na presença militar e nas relações internacionais.
O Itamaraty informou que só tomou conhecimento da viagem do assessor após a divulgação na imprensa, o que motivou o ministério a convocar o encarregado de negócios da embaixada norte-americana no Brasil, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos.
Durante a reunião com diplomatas brasileiros, foi informado que Beattie também participaria de um fórum sobre terras raras no país.
Possível encontro político
Apesar da suspensão da visita ao ex-presidente, havia a previsão de que o assessor norte-americano se reunisse no Brasil com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A viagem, no entanto, ficou incerta após a revogação do visto.
Situação de Bolsonaro
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Nesta sexta-feira (13), o ex-presidente também foi internado no Hospital DF Star, em Brasília, com diagnóstico de broncopneumonia e está sendo tratado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

