Agremiações de Laguna têm até o fim de dezembro para obter os recursos e, assim, retomar os desfiles na cidade.
Willian Reis
Laguna
As cinco agremiações que formam a Liga Independente das Escolas de Samba de Laguna (Liesla) foram autorizadas pelo governo federal a captar, pela Lei Rouanet, R$ 1.723.226,00. Caso os recursos sejam mesmo obtidos, eles irão garantir a realização dos desfiles no Carnaval do ano que vem.
A autorização para a captação foi confirmada pela portaria número 412, com data da última quarta-feira e já publicada no Diário Oficial da União. O projeto cultural foi aprovado pelo secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, José Paulo Soares Martins.
Pela portaria, o prazo de captação dos recursos começou nesta quinta-feira e segue até o dia 31 de dezembro. Em resumo, o projeto aprovado pelo governo federal determina que os recursos sejam aplicados na produção, estruturação e organização dos ensaios técnicos e no desfile oficial das cinco agremiações filiadas à Liesla. As agremiações terão ainda que produzir um CD com os seus respectivos sambas de enredo e um DVD com as imagens do desfile oficial.
Mas somente esta autorização do governo não garante o Carnaval de escolas de samba no próximo ano. Isso porque a aprovação não significa que o governo esteja repassando dinheiro para as entidades. Na prática, com a portaria, elas agora podem sair à rua para negociar com empresas e pessoas físicas, para que estas, em vez de pagarem parte de seu imposto devido ao governo, optem por transferir os valores para as escolas.
O presidente da Liesla, João de Sousa Júnior, afirma que, sozinhas, as cinco agremiações não têm poder de barganha para conseguir a parceria com os possíveis interessados. Para isso, as escolas irão solicitar uma audiência com a prefeitura de Laguna, para que o município possa auxiliar na busca pelos recursos.
Liesla já tentou recursos pela Lei Rouanet em 2015
Sousa Júnior lembra que, em 2015, a Liesla já havia conseguido autorização para captar recursos via Lei Rouanet, porém, naquela ocasião, não se conseguiu nada. Desta vez, para evitar que o mesmo problema ocorra, o grupo quer o apoio do Executivo, até porque terá de disputar a preferência de patrocinadores com outras cidades. “Com o município é muito mais fácil, até porque é um Carnaval para a cidade”, afirma o presidente.
Se toda a quantia for captada junto a empresas e pessoas físicas, até mesmo os gastos com a estrutura poderão ser custeados pelo projeto. No caso do pré-carnaval, por exemplo, deve haver mudança. Com a remodelagem da rua Raulino Horn, a Liesla considera que o local já não pode mais abrigar os ensaios. A ideia é que eles sejam transferidos para o entorno do jardim em frente à Igreja Matriz, no mesmo endereço onde ocorriam os desfiles oficiais até meados dos anos 1980. “É um evento que não vai dar despesa para a prefeitura”, diz Sousa Júnior. Mas, para ter os recursos, a Liesla precisa, no mínimo, captar 20% do previsto.
Fundação de Cultura promete parceria
Além da parceria na captação, está na pauta das escolas com a prefeitura a exigência de que até setembro o Executivo defina qual será sua participação no próximo Carnaval. O projeto foi encaminhado a Brasília em fevereiro e foi produzido exclusivamente pela Liesla, a partir do trabalho do secretário André Machado.
Ainda que o município não tenha sido procurado oficialmente, já houve uma solicitação informal com o presidente da Fundação Lagunense de Cultura, Márcio José Rodrigues Filho. “A gente pensa em trabalhar junto, em parceria. Essa aprovação é extremamente salutar, porque o Carnaval é um setor representativo de nossa cultura”, diz.
Ele afirma que as conversas devem avançar mais, logo após a realização da Semana Cultural, que ocorre no fim deste mês. “Cabe, agora, correr atrás dos recursos. A gente não vai se negar a ajudar”, garante Rodrigues Filho.
Sem receber desfiles, sambódromo custou R$ 3,4 milhões
Em 2016, a cidade ainda contou com o desfile das cinco escolas de samba. Com poucos recursos, a apresentação oficial, em tamanho reduzido, ocorreu no Centro, mas sem disputa pelo título. Nos dois anos anteriores, não houve desfile por falta de dinheiro. Enquanto isso, o sambódromo Hindemburgo Moreira só chegou a ser usado pelas escolas até 2013, quando elas receberam R$ 150 mil cada para promover o Carnaval daquele ano. A construção, iniciada em 2005 e inaugurada em 2007, consumiu R$ 3,4 milhões do governo do Estado.

