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Ler é preciso

Lamentavelmente, o brasileiro está lendo menos. A comodidade que a televisão proporciona e o uso contínuo das redes sociais parece ter influenciado significativamente para uma queda drástica no índice de leitura no país. 

Uma pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livre, em parceria com o Ibope Inteligência (2011), revelou que cada vez mais as pessoas estão trocando o hábito de buscar livros, revistas e jornais por assistir à televisão, filmes em DVD e navegar na internet.

O índice representa uma queda de 9,1% no universo de leitores brasileiros, ao mesmo tempo em que a população cresceu 2,9% entre 2007 a 2011. Isto é realmente preocupante. Na pesquisa, a região sul obteve o menor registro de leitura do país, abaixo da média nacional, com apenas 43% da população formada por leitores. O que acontece nos lares brasileiros, infelizmente, é a supremacia da TV e o uso excessivo das redes sociais por meio de computadores e celulares. 

Não estou criticando, de modo algum, o hábito de assistir à televisão ou usar a internet – por sinal, uma grande revolução em termos de comunicação em nível mundial – porém defendo que se reserve um tempo à leitura. Alguns especialistas sustentam a tese de que é na escola que se deveria aprender a gostar de leitura, e que não se trata apenas de vender ou distribuir mais obras literárias: o desafio passa pela construção do hábito de leitura. 

A questão é emergencial: ou despertamos o interesse pela leitura ou perderemos a batalha para a alienação, para a informação fast food dos textos apócrifos que lotam o cenário virtual e, mais grave, para a atrofia do pensamento crítico e da imaginação, faculdades que só a leitura exaustiva e constante consegue desenvolver. A situação preocupa diversos setores da cadeia do livro. Se, por um lado, temos um Plano Nacional da Leitura que busca transformar as bibliotecas em espaços amplos e de acesso irrestrito, temos o desafio de tornar estes espaços interessantes o suficiente para atrair principalmente crianças e jovens, e a jornada hercúlea de resgatar o papel de livro como fonte de prazer, mais do que mera obrigação escolar. Citando Mário Quintana, “o verdadeiro analfabeto é aquele que aprendeu a ler e não lê”.

 

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