Liderar é acima de tudo assumir suas convicções.
“…não há nada mais difícil para iniciar, mais perigoso para conduzir, ou incerto no seu sucesso, que assumir a liderança de uma nova ordem de coisas. Dessa forma, o inovador tem como inimigos todos aqueles que se saíram bem nas condições antigas, e como defensores mornos aqueles que poderiam se sair bem nas novas. Esse frescor surge em parte do medo dos opositores que têm as leis ao seu lado, e em parte da incredulidade dos homens que não acreditam prontamente em inovações, até que tenham uma longa experiência com elas. Assim, quando aqueles que são hostis têm oportunidade para atacar, eles o fazem como guerrilheiros, enquanto os outros o defendem mornamente…
(Níccolo Machiavelli, O Príncipe, 1513).
Definitivamente, liderar não é um papel para muitos. Aliás, nem todos gostam das responsabilidades e das atribuições que a liderança impõe. Estes são coerentes.
Ocorre que, ao se dispor a liderar qualquer processo, qualquer grupo, qualquer organização, é fundamentalmente necessário convencer-se da necessidade de ausculta e, a partir dela, da eminente decisão para superação dos obstáculos que se apresentarem, satisfazendo as necessidades.
Afinal, cabe ao líder não só o bom senso, mas também a responsabilidade única de decidir indicação dos caminhos ao grupo.
Não é raro ouvir de alguns que se apresentam como líderes, que são bons líderes porque têm equipe e delegam, ou para alguns mais abusados, porque compartilham. Mas não se pode confundir as características que transformam um líder em bom líder, com aquelas que nitidamente o traduzem em omisso.
Delegar ou compartilhar não significa transferir integralmente as responsabilidades pela ausculta e pela decisão em todos os níveis e para todas as situações.
A delegação se faz com indicação das ações para responder às estratégias fixadas, e delas depende exclusivamente a percepção e comprometimento do líder maior do processo, portanto, esta responsabilidade não se delega.
Por outro lado, compartilhar não significa comunicar, unilateralmente o que se quer, ou escutar sem ouvir.
Compartilhar significa dividir a responsabilidade pela interpretação das situações e das alternativas de superação para os problemas surgidos, preservando-se a estratégia. Daí a necessidade imperiosa do líder assumir e resguardar, a todo instante, sem titubear, suas convicções, ao compartilhar as alternativas que lhe subsidiam a decisão.
A distinção entre estas duas características é que atribuem a uns, entre os que se propõem ao papel da liderança se reconhecerem efetivamente como líder, enquanto aos outros, a humilhante marca da omissão na condução de processos, pessoas, grupos ou organizações.
Por isso, pense bem e avalie as lideranças que se tem, porque delas depende a condução de todos ao futuro. Daí aja, porque de cada um depende o futuro que se quer ter em qualquer agrupamento.

