Angelica Brunatto
Tubarão
Não é difícil encontrar locais para adquirir uma linha de celular. Os chips podem ser adquiridos até nos quiosques das mais diversas operadoras dentro dos mais variados tipos de comércio. E, com tanta procura, fica difícil manter a qualidade do serviço.
A gerente de loja Adriana Botega, 40 anos, de Tubarão, possui três linhas de celular. Segundo ela, nenhuma funciona 100%. “Na minha casa de praia, meu telefone da Claro não funciona, nem mesmo em frente à antena”, conta a gerente.
Mas o problema maior é na linha empresarial da Claro. “Tem dias que o aparelho fica sem sinal. Hoje (ontem), estive incomunicável. Não conseguia realizar chamadas e nem receber ligações. Tenho esta linha há mais de três anos, mas neste último a situação piorou”, lamenta.
As reclamações quanto ao serviço vêm de todas as partes. Não é novidade que o sistema de telefonia é líder de reclamações nos Procons. Em Tubarão, já esteve no topo por mais de dez meses seguidos.
E, por causa de problemas como este, a Anatel suspendeu, quarta-feira, a venda de novas linhas da Claro em Santa Catarina. A determinação começa a valer a partir de segunda-feira.
As revendedoras autorizadas na região já começaram a se adaptar. Com a interrupção da oferta, os problemas financeiros vão aparecer. Hoje, o grande ganho destas lojas está na venda de novos planos, e não na dos aparelhos. Agora, os funcionários deverão se concentrar na oferta de planos de televisão por assinatura.
Contraponto da Claro
Na tarde de ontem, o presidente da Claro (única operadora com venda suspensa em Santa Catarina), Carlos Zenteno, esteve reunido com representantes da Anatel. O objetivo era entregar e discutir o Plano de Ação da operadora.
A Claro afirma que já realiza investimentos em rede no Brasil. Neste ano, a empresa garante que foram investidos em melhorias R$ 3,5 milhões.
Líder em reclamação
No primeiro semestre deste ano, foram registradas no país 861.218 reclamações sobre a rede de telefonia. Dessas, 78.604 (9,13%) foram relativas às operadoras de celular. O número supera o volume de reclamações contra operadoras de cartão de crédito, bancos e telefonia fixa, entre outros setores. Os dados são do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec), do Ministério da Justiça.
As três principais reclamações do consumidor são cobrança indevida e abusiva e dúvidas sobre cobrança, valor e reajuste. Os clientes também são insatisfeitos quanto a rescisão e alteração unilateral dos contratos, além de serviço não fornecido e vícios de qualidade.
Entre as empresas, a Claro é a campeã de reclamações: 26.376 demandas. Em segundo lugar, fica a Vivo, e em seguida a TIM (14,55%) e OI (14,44%).
Mercado financeiro
O mercado financeiro já começou a sentir a determinação da Anatel de suspender a venda de novas linhas de celular. Um dia após o decreto, as ações da TIM despencaram quase 9% na tarde de ontem. No caso da OI, a oscilação foi positiva: 1,38%. Já a Vivo não teve perdas significativas, houve apenas uma queda de 0,75%. A Claro não comercializa ações no mercado financeiro.
Concessão da rede 4G não será afetada
Santa Catarina não foi o único estado afetado pela determinação da Anatel. Em todos os estados, pelo menos uma das três maiores operadoras do Brasil foram atingidas. Tim, Claro e Oi estão proibidas de comercializar novos planos.
Para que a venda seja liberada, as operadoras de serviço de telefonia celular deverão apresentar um plano de investimento e melhoria da qualidade dos serviços de rede e do atendimento dos call centers para os próximos dois anos.
Antes de emitir o decreto, a Anatel já havia sinalizado para essas empresas a insatisfação quanto à continuidade dos problemas. Porém, estas reclamações não afetarão as concessões para a internet móvel rápida (4G). O primeiro contrato de concessão será assinado no próximo mês.

