FOTO Ricardo Stuckert/PR Divulgação Notisul
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou neste domingo, 25 de outubro, seu quarto mandato como presidente da República. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o petista recuperou a diferença, ampliou sua votação em mais de 10 milhões de votos e venceu o segundo turno. O resultado, entretanto, foi acompanhado de uma controvérsia jurídica provocada pela decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário de votação.
Com 99,87% das urnas apuradas, Lula alcançou 64.145.442 votos, correspondentes a 51,76% dos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.775.583 votos, ou 48,24%.
A vantagem do presidente chegou a 4.369.859 votos, representando uma diferença de 3,52 pontos percentuais.
Uma virada de mais de 6 milhões de votos no crescimento eleitoral
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia recebido 56.104.503 votos, contra 53.879.538 de Lula. A vantagem inicial do candidato do PL era de 2.224.965 votos.
No segundo turno, o presidente acrescentou 10.265.904 votos à sua votação anterior, enquanto Flávio ampliou seu eleitorado em 3.671.080 votos. A diferença entre os crescimentos foi de 6.594.824 votos, suficiente para inverter a posição dos candidatos.
O resultado representa uma mudança importante no comportamento do eleitorado entre as duas etapas da eleição. Parte dos eleitores que haviam escolhido outros candidatos no primeiro turno passou a votar em Lula ou Flávio Bolsonaro. Também houve alterações no comparecimento e na distribuição dos votos brancos e nulos.
Onde Lula ampliou sua votação
No Rio Grande do Norte, Lula recebeu 1.413.596 votos, contra 1.237.963 no primeiro turno. O crescimento foi de 175.633 votos, com avanço de 59,75% para 65,72% dos votos válidos.
No Amapá, o presidente passou de 45,71% para 52,88%, acrescentando 10.465 votos à votação anterior. Esses dois estados apresentam crescimento confirmado tanto em votos absolutos quanto em participação percentual.
A votação dos brasileiros no exterior também registrou avanços. Na Austrália, Lula passou de 4.562 para 6.017 votos. Na Nova Zelândia, cresceu de 234 para 418 votos.
A distribuição nacional demonstra que o crescimento de Lula não dependeu de vencer a maioria das unidades da Federação. Flávio Bolsonaro manteve a liderança em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e em outros estados, mas a soma nacional dos votos válidos favoreceu o presidente.
A decisão de Zanin e os questionamentos jurídicos
A eleição também ficará marcada pela decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que determinou a ampliação do horário de votação das 17h para as 19h.
A medida ocorreu após denúncias de restrições no transporte coletivo, que poderiam ter dificultado o deslocamento de eleitores. A campanha de Lula solicitou a prorrogação em âmbito nacional. A campanha de Flávio Bolsonaro também apresentou pedido de extensão para municípios afetados por chuvas e outros problemas.
A decisão de Zanin foi divulgada às 17h03, quando parte das urnas já havia sido encerrada. A Justiça Eleitoral chegou a suspender a totalização dos votos.
Posteriormente, o ministro esclareceu que a votação deveria prosseguir apenas nas seções que permaneciam abertas. Os votos das urnas já encerradas seriam computados normalmente. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, orientou o cumprimento da medida.
A sequência dos acontecimentos abriu questionamentos jurídicos relevantes: a ampliação do horário poderia produzir condições diferentes entre eleitores de uma mesma cidade? A comunicação tardia prejudicou o cumprimento uniforme da decisão? Qual foi a quantidade efetiva de eleitores que votaram durante a prorrogação?
Essas questões exigem respostas documentais da Justiça Eleitoral. A existência de controvérsia sobre o procedimento, contudo, não constitui por si só comprovação de alteração irregular do resultado.
Quarto mandato começa em janeiro de 2027
Lula venceu as eleições presidenciais de 2002, 2006, 2022 e agora 2026. Com a nova vitória, exercerá seu quarto mandato à frente do Executivo federal.
O próximo período presidencial terá início em 5 de janeiro de 2027 e terminará em 4 de janeiro de 2031.
O presidente terá pela frente o desafio de administrar um país dividido eleitoralmente, um número recorde de deputados e senadores eleitos por partidos de direita, especialmente o PL, enquanto os questionamentos sobre a condução do segundo turno poderão continuar no âmbito jurídico e político.

