segunda-feira, 26 outubro , 2026

Lula supera Flávio, vira eleição e conquista quarto mandato presidencial

FOTO Ricardo Stuckert/PR Divulgação Notisul

Tempo de leitura: 4 minutos

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou neste domingo, 25 de outubro, seu quarto mandato como presidente da República. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o petista recuperou a diferença, ampliou sua votação em mais de 10 milhões de votos e venceu o segundo turno. O resultado, entretanto, foi acompanhado de uma controvérsia jurídica provocada pela decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário de votação.

Com 99,87% das urnas apuradas, Lula alcançou 64.145.442 votos, correspondentes a 51,76% dos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.775.583 votos, ou 48,24%.

A vantagem do presidente chegou a 4.369.859 votos, representando uma diferença de 3,52 pontos percentuais.

Uma virada de mais de 6 milhões de votos no crescimento eleitoral

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia recebido 56.104.503 votos, contra 53.879.538 de Lula. A vantagem inicial do candidato do PL era de 2.224.965 votos.

No segundo turno, o presidente acrescentou 10.265.904 votos à sua votação anterior, enquanto Flávio ampliou seu eleitorado em 3.671.080 votos. A diferença entre os crescimentos foi de 6.594.824 votos, suficiente para inverter a posição dos candidatos.

O resultado representa uma mudança importante no comportamento do eleitorado entre as duas etapas da eleição. Parte dos eleitores que haviam escolhido outros candidatos no primeiro turno passou a votar em Lula ou Flávio Bolsonaro. Também houve alterações no comparecimento e na distribuição dos votos brancos e nulos.

Onde Lula ampliou sua votação

No Rio Grande do Norte, Lula recebeu 1.413.596 votos, contra 1.237.963 no primeiro turno. O crescimento foi de 175.633 votos, com avanço de 59,75% para 65,72% dos votos válidos.

No Amapá, o presidente passou de 45,71% para 52,88%, acrescentando 10.465 votos à votação anterior. Esses dois estados apresentam crescimento confirmado tanto em votos absolutos quanto em participação percentual.

A votação dos brasileiros no exterior também registrou avanços. Na Austrália, Lula passou de 4.562 para 6.017 votos. Na Nova Zelândia, cresceu de 234 para 418 votos.

A distribuição nacional demonstra que o crescimento de Lula não dependeu de vencer a maioria das unidades da Federação. Flávio Bolsonaro manteve a liderança em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e em outros estados, mas a soma nacional dos votos válidos favoreceu o presidente.

A decisão de Zanin e os questionamentos jurídicos

A eleição também ficará marcada pela decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que determinou a ampliação do horário de votação das 17h para as 19h.

A medida ocorreu após denúncias de restrições no transporte coletivo, que poderiam ter dificultado o deslocamento de eleitores. A campanha de Lula solicitou a prorrogação em âmbito nacional. A campanha de Flávio Bolsonaro também apresentou pedido de extensão para municípios afetados por chuvas e outros problemas.

A decisão de Zanin foi divulgada às 17h03, quando parte das urnas já havia sido encerrada. A Justiça Eleitoral chegou a suspender a totalização dos votos.

Posteriormente, o ministro esclareceu que a votação deveria prosseguir apenas nas seções que permaneciam abertas. Os votos das urnas já encerradas seriam computados normalmente. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, orientou o cumprimento da medida.

A sequência dos acontecimentos abriu questionamentos jurídicos relevantes: a ampliação do horário poderia produzir condições diferentes entre eleitores de uma mesma cidade? A comunicação tardia prejudicou o cumprimento uniforme da decisão? Qual foi a quantidade efetiva de eleitores que votaram durante a prorrogação?

Essas questões exigem respostas documentais da Justiça Eleitoral. A existência de controvérsia sobre o procedimento, contudo, não constitui por si só comprovação de alteração irregular do resultado.

Quarto mandato começa em janeiro de 2027

Lula venceu as eleições presidenciais de 2002, 2006, 2022 e agora 2026. Com a nova vitória, exercerá seu quarto mandato à frente do Executivo federal.

O próximo período presidencial terá início em 5 de janeiro de 2027 e terminará em 4 de janeiro de 2031.

O presidente terá pela frente o desafio de administrar um país dividido eleitoralmente, um número recorde de deputados e senadores eleitos por partidos de direita, especialmente o PL, enquanto os questionamentos sobre a condução do segundo turno poderão continuar no âmbito jurídico e político.

Lula terá Congresso mais à direita no quarto mandato

A vitória nas urnas garante a Luiz Inácio Lula da Silva mais quatro anos na Presidência da República, mas o novo mandato deverá enfrentar dificuldades na relação com o Congresso Nacional. As eleições de 2026 ampliaram a presença de parlamentares de direita tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.

O Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada da Câmara, com 121 dos 513 deputados federais. No Senado, a sigla deverá contar com 29 dos 81 parlamentares, consolidando sua posição como principal força partidária da Casa.

Esse cenário exigirá do presidente maior capacidade de negociação para aprovar projetos, medidas econômicas, propostas orçamentárias e reformas que dependam de autorização legislativa, além dos nomes de ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Além da oposição de direita, Lula precisará negociar com partidos de centro, cujas bancadas poderão desempenhar papel decisivo nas votações.

A posse presidencial ocorrerá em 5 de janeiro de 2027, conforme estabelecido pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021. O quarto mandato de Lula seguirá até 5 de janeiro de 2031.

A nova composição do Congresso assumirá em 1º de fevereiro de 2027, quando também serão eleitas as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado.

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