Mirna Graciela
Tubarão
O envolvimento de menores em crimes relacionados ao tráfico de drogas está cada vez mais constante. E esta situação desencadeia uma série de problemas – muitas vezes sem volta – a quem está inserido diretamente na questão, como também à sociedade em geral.
Ontem à tarde, mais dois adolescentes, uma menina e um menino de 15 anos, foram apreendidos em Tubarão. Em rondas de rotina, na Área Verde, no bairro Passagem, local conhecido por tráfico de entorpecentes, os policiais do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) ainda prenderam uma mulher, de 32, e um jovem de 22. Todos estavam na mesma residência, na rua Pinheiros, de propriedade da mulher mais velha. Os policiais avistaram no terreno da casa, em cima de um armário, algumas pedras de crack e abordaram os dois homens. Em busca pessoal, nada encontraram.
No entanto, ao entrarem na residência, depararam-se com 44 pedras da droga, uma espingarda Winchester calibre 44 (arma americana de alta precisão) e vários tipos de munições: nove de calibre 40 (uso exclusivo da PM), uma de calibre 380 e quatro de calibre 44 (da arma encontrada). Em dinheiro, foram encontrados R$ 381,40.
Todos foram conduzidos à Delegacia da Criança, do Adolescente e de Proteção à Mulher e ao Idoso, onde permaneciam até o fechamento desta edição. A garota é filha e o rapaz sobrinho da proprietária da casa.
Sociedade discute ressocialização
Enquanto menores são apreendidos e soltos, por determinação da lei, e há o registro do alto índice de criminalidade e reincidência, a sociedade de Tubarão reúne-se na tentativa de buscar alternativas para evitar este mecanismo, dando-lhes condições de trabalho, saúde e educação.
Ontem à tarde, o assunto entrou na discussão, no fórum, em uma reunião coordenada pelo juiz de execução penal, Elleston Canali, que também falou sobre maioridade penal. Uma das decisões foi o restabelecimento do Conselho da Comunidade. A sua função é articular recursos materiais, de fiscalização e de ressocialização através da implementação de políticas locais de reinserção social do detento para que, desta forma, não reingresse à criminalidade. “Se não dermos uma assistência enquanto estão lá dentro, como vai ser quando voltarem às ruas? Eles cumprem suas penas e são colocados em liberdade, sem perspectivas. O fundamental é que já tenham isso agora”, avaliou o juiz.
O conselho será responsável por fazer um acompanhamento e analisar as reais necessidades. No entanto, a dificuldade de colocá-los no mercado de trabalho é evidente. Mas existem entidades filantrópicas que dão o exemplo. É o caso da Apae, hoje com três presos trabalhando. E, dentro do presídio, existe um espaço onde alguns detentos atuam para a Thermosystem, na montagem de chuveiros. “O mais importante é conseguir isto. Que mais empresas estejam lá”, solicitou o juiz. No dia 25 do próximo mês, a intenção dele é que este conselho seja formado e que realmente torne-se atuante.

