sexta-feira, 16 outubro , 2026

Medicina, juramento e solidariedade

A medicina é, seguramente, uma das profissões mais importantes e complexas no contexto geral da vida humana. Com a crescente evolução do sistema global, significativos estudos e novas técnicas trouxeram resultados positivos para cura de doenças até então desconhecidas pela própria comunidade científica, que, embora restrita, possui efetiva atuação em boa parte do planeta. Antes, pessoas morriam, apesar de passarem por tratamento, não somente por falta de equipamentos adequados para avaliação preventiva, mas também pela exiguidade de substância laboratorial para combater moléstias e indisposições fisiológicas dúbias. Na época, havia também os esforços da chamada alternativa caseira – ou seja, conservação e uso contínuo de ervas preparadas cuidadosamente por indivíduos experientes, tradição mantida até agora e repassada de geração para geração – diga-se – em muitos casos, o principal remédio dos milhares de enfermos desenganados no mundo inteiro pela medicina convencional.

Mas, afinal de contas, como é, como funciona e qual a verdadeira relação entre profissional e cliente no momento de maior fragilidade do corpo e do espírito. Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate à porta. O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser altas horas da noite, diz a quem chora a porta que procure outro, esse não é médico, é negociante de medicina. Esse é um infeliz, que manda para outro o anjo da caridade que veio bater a sua porta por justa necessidade. Hipócrates, o pai da medicina que viveu na era 460 a.c., deixou um juramento até hoje recitado por todos os acadêmicos no dia da formatura.

Eis a íntegra do documento universal: “Prometo: Que ao exercer a arte de curar, me mostrarei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, os quais terei como preceito de honra; nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu a minha vida e a minha arte com a boa reputação entre os homens e para sempre; se dele me afastar ou infringir, suceda-me o contrário”.

Na realidade, sem hiperbolismo, poucos são os que exercem esta profissão intelectual cuja renumeração deve estar isenta de qualquer especulação, cumprindo rigorosamente a “sagrada” missão. Tubarão, por exemplo, no passado não muito distante, teve o privilégio de poder contar com alguns nomes de destaque no cenário regional, um deles, merecidamente, será reconhecido eternamente. Dr. Olegário Mainieri foi e continuará sendo sempre o anjo dos anjos.

Durante os muitos anos que atuou na área da medicina pediátrica, ricos ou pobres, todos eram atendidos de forma equânime a qualquer hora do dia ou da noite com ou sem dinheiro. Sua intenção, acima de tudo, era aliviar o sofrimento das crianças e amenizar a angústia dos pais que o procuravam para restabelecimento da saúde de seus filhos. Aquele que tempos atrás realizava atendimento a todos, indistintamente, já não o faz mais após sofrer um grave acidente. De lá para cá, o mais popular médico pediátrico tubaronense, mesmo tendo passado por várias cirurgias em diversos hospitais do país sem sucesso, não conseguiu voltar mais à normalidade.

Dr. Olegário, que sobreviveu ao infausto acontecimento e há algum tempo acamado e longe da atividade que mais amava, o qual se dedicava 24 horas por dia, por ironia do destino, agora precisa do carinho e apoio incondicional de toda coletividade. Independentemente de qualquer circunstância, dr. Olegário, humilde e de coração benevolente, pode não estar no dia-a-dia na mente das pessoas, porém, jamais será esquecido pelo seu feito humanitário. Que Deus o proteja onde quer que esteja.

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