quinta-feira, 29 outubro , 2026

Entenda o que previa a MP derrubada na Câmara e como fica agora o imposto sobre bets e aplicações

A decisão do Congresso Nacional de deixar caducar a Medida Provisória (MP) que aumentava impostos sobre diversos setores — incluindo bets, fintechs e investimentos financeiros — representa um revés bilionário para o governo Lula (PT).

O impacto estimado da derrubada chega a R$ 50 bilhões até 2026, segundo cálculos preliminares de analistas.

A MP 1.303/2025 previa mudanças em oito frentes principais, que agora deixam de valer. Veja o que muda:

1. Imposto sobre apostas esportivas (bets)

Como fica:
A tributação segue em 12% sobre a receita líquida (GGR) das casas de apostas.

Como era na MP:
O governo queria elevar para 18%, buscando arrecadar mais sobre o lucro bruto do setor — estimado em R$ 40 bilhões ao ano, segundo o ministro Fernando Haddad.

Status: Não chegou a entrar em vigor. A cobrança maior seria iniciada em novembro de 2025.

2. Juros sobre Capital Próprio (JCP)

Como fica:
Mantida a alíquota de 15%.

Como era na MP:
O governo previa aumento para 20% a partir de 2026.

Status: Não entrou em vigor.

3. Títulos incentivados (LCI e LCA)

Como fica:
Continuam isentos de Imposto de Renda.

Como era na MP:
Passariam a ser taxados em 5%, o que, segundo o governo, poderia gerar R$ 41 bilhões anuais de arrecadação.

Status: A mudança também valeria a partir de 2026 e foi cancelada.

4. Imposto de Renda sobre aplicações financeiras

Como fica:
Mantidas as alíquotas progressivas atuais, entre 15% e 22,5%, conforme o prazo da aplicação.

Como era na MP:
A ideia era unificar em 17,5%, favorecendo investimentos de curto prazo e elevando a tributação para aplicações de longo prazo.

5. Tributação de criptoativos

Como fica:
Sem cobrança específica.

Como era na MP:
Incidência de 17,5% de IR sobre ganhos com criptomoedas e ativos digitais.

6. Fintechs e cooperativas de crédito

Como fica:
Fintechs continuam pagando 9% de CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido).

Como era na MP:
Equiparação com bancos tradicionais — alíquotas entre 15% e 20%.
O governo argumentava que o setor já atua como instituição financeira e deveria ser tributado da mesma forma.

7. Compensações tributárias

Como fica:
Sem restrições.

Como era na MP:
A proposta limitava o uso de créditos tributários para compensação, buscando coibir manobras de postergação de impostos.

Durante sua vigência, o governo chegou a arrecadar R$ 10 bilhões com a limitação.

8. Programa “Pé-de-meia” e o piso da educação

Como fica:
O programa Pé-de-meia, voltado a incentivar estudantes do ensino médio, fica fora do piso constitucional da educação, liberando mais recursos para o setor.

Como era na MP:
O governo havia incluído o programa dentro do piso, o que reduzia a verba disponível para outras políticas educacionais.

Impacto nas contas públicas

A derrubada da MP representa perda imediata de arrecadação e amplia o desafio fiscal da equipe econômica.

Segundo estimativas:

  • R$ 20 bilhões de perda em 2025;

  • Até R$ 40 bilhões em 2026.

O governo ainda estuda medidas compensatórias — que podem incluir novos tributos, corte de gastos ou revisão de benefícios fiscais.

O ministro Fernando Haddad afirmou que apresentará cenários alternativos ao presidente Lula, que tomará a decisão final.

“Vamos levar várias opções para o presidente, com diferentes graus de impacto e oportunidade”, disse Haddad.

Repercussões

A decisão foi amplamente comemorada pelo setor produtivo e entidades empresariais.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) elogiou o Congresso por evitar “mais um aumento da carga tributária”, afirmando que a medida preserva o consumo e o crescimento econômico.

A ABcripto celebrou o resultado como “vitória do bom senso e da racionalidade regulatória”.

Já a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) destacou que a proposta “aumentava impostos sem justificativa” e que o agronegócio foi decisivo na rejeição.

O que vem pela frente

O Ministério da Fazenda tem até sexta-feira (10) para apresentar alternativas de compensação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre as opções em estudo estão:

  • corte de isenções fiscais,

  • aumento de contribuição sobre grandes empresas,

  • e ajustes no IOF.

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