Uma mulher de 42 anos está internada em estado grave em Minas Gerais após usar uma caneta emagrecedora sem registro no Brasil. O produto utilizado foi a Lipoless, medicamento proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas que continua sendo comercializado de forma ilegal pelas redes sociais.
Conhecida informalmente como o “Mounjaro do Paraguai”, a Lipoless é trazida ao Brasil de maneira irregular e vendida como se tivesse a mesma composição da tirzepatida, substância presente no medicamento Mounjaro, indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 e também utilizado para emagrecimento.
Uso do produto antecedeu complicações graves
Segundo a família, Kellen Oliveira Bretas Antunes começou a aplicar injeções da Lipoless após adquirir o produto como sendo tirzepatida. Pouco tempo depois do início do uso, ela apresentou complicações e precisou ser internada.
A Lipoless não possui registro na Anvisa, o que significa que não pode circular legalmente no país. Sem autorização sanitária, não há garantia sobre sua composição, concentração, qualidade ou condições adequadas de armazenamento e transporte.
Anúncios ilegais seguem ativos nas redes sociais
Apesar da proibição, anúncios do produto seguem ativos. Em uma busca realizada na ferramenta de anúncios da Meta, responsável por Facebook e Instagram, foram encontradas mais de 300 publicações promovendo a venda da Lipoless.
Os anúncios oferecem o medicamento sem exigência de receita médica, com promessa de entrega direta ao consumidor. Os preços variam de R$ 632 a quase R$ 2 mil, com opções de dosagem escolhidas pelo próprio comprador.
A resolução da Anvisa que proibiu essas canetas também determina o bloqueio de qualquer tipo de divulgação. A plataforma foi questionada sobre os anúncios, mas não havia retorno até a publicação da reportagem.
Origem do medicamento e riscos à saúde
A patente da tirzepatida pertence à farmacêutica Eli Lilly, o que impede a produção legal da substância por outras empresas. No Paraguai, a patente não é respeitada, permitindo que laboratórios locais produzam medicamentos sem validação sanitária reconhecida pelo Brasil.
Especialistas alertam que, sem avaliação da Anvisa, é impossível garantir a segurança do produto. Não há controle sobre a real composição da substância, nem sobre as dosagens aplicadas.
Transporte irregular aumenta os riscos
Reportagens já mostraram que essas canetas entram no Brasil por esquemas ilegais, transportadas por motoboys na fronteira ou escondidas em veículos e até presas ao corpo de pessoas, em tentativas de burlar a fiscalização.
Esse tipo de transporte compromete ainda mais a estabilidade do medicamento, aumentando o risco de contaminação ou alteração da substância.
Evolução do quadro da paciente
Kellen foi internada pela primeira vez no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, no dia 17 do mês passado, com dor abdominal. Ela recebeu alta no dia 25, com suspeita de intoxicação medicamentosa.
Dois dias depois, passou a apresentar perda muscular severa e dificuldade para se locomover. No dia 28 de dezembro, foi internada novamente, já com fraqueza intensa, urina escura, insuficiência respiratória e complicações neurológicas.
Ela segue internada em estado grave na capital mineira.
Alerta das autoridades de saúde
A Anvisa reforça que medicamentos para emagrecimento só devem ser utilizados com prescrição e acompanhamento médico. Produtos sem registro representam risco elevado à saúde e não devem ser usados em nenhuma hipótese.

