Karen Novochadlo
Tubarão
Após o primeiro caso de dengue contraído em Santa Catarina ser confirmado, na última semana, as ações para evitar a disseminação do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, serão reforçadas. Em Tubarão, somente este ano, foram descobertos quatro focos do mosquito. Três deles na comunidade Vila Esperança e um no Morrotes.
Até julho deste ano, novas armadilhas para atrair e exterminar o mosquito serão instaladas. No momento, integrantes do Programa Municipal de Combate a Dengue realizam o mapeamento dos bairros. Todas as residências, terrenos baldios, entre outros pontos, são contados.
O coordenador do programa, Hélio de Oliveira Júnior, estima que serão instaladas 80 armadilhas a mais. Hoje, estão distribuídos 293 equipamentos (são vistoriadas a cada sete dias) e 98 pontos estratégicos (visitados a cada 15 dias).
Hélio antecipa também que a visita a locais mais propensos ao surgimento do mosquito – caso de floriculturas, transportadores e borracharias, por exemplo – serão visitados com maior frequência.
O gerente da Plantarte, Valésio Lucktemberg, aprova a medida e, além de fazer sua parte, procura orientar os clientes para que adotem as medidas preventivas em casa. “Aplicamos inseticida nas bromélias, cuidamos com os pratinhos e, no caso das plantas aquáticas, trocamos a água todos os dias. A dengue é uma batalha que todos têm que se envolver”, ensina.
Prevenção é a chave
• Mantenha a caixa d’água fechada com tampa.
• Remova galhos, folhas e tudo o que possa impedir a água de correr pelas calhas.
• Não deixe água acumulada na laje.
• Lave semanalmente os tanques utilizados para armazenar água.
• Mantenha tonéis e barris de água bem tampados.
• Encha de areia até as bordas os pratos dos vasos de plantas.
• Se você tiver vasos de plantas aquáticas, troque a água e lave com sabão toda semana.
• Guarde garrafas sempre com o gargalo virado para baixo.
• Para guardar pneus, utilize uma lona para evitar o acúmulo de água.
• Mantenha o lixo em sacos plásticos bem fechados.
O caso
O primeiro caso de dengue contraída dentre do estado catarinense foi confirmado na última quinta-feira. Um homem, 77 anos, residente de São João do Oeste, teria sido contaminado por um mosquito que picou a esposa do paciente, que contraiu a doença fora do território catarinense.
O secretário da Saúde, Dalmo Claro de Oliveira, destaca que esse é um caso isolado e singular. “Até o momento, Santa Catarina não apresenta situação que evidencie transmissão autóctone e nem infestação pelo mosquito Aedes aegypti, propiciando circulação viral”, lembra Dalmo.
O homem e sua esposa viajaram no fim de novembro de 2010 pelos estado de Mato Grosso do Sul, Rondônia e Paraná. No começo de janeiro a esposa começou a apresentar os primeiros sintomas, sendo internada no dia 14, no Hospital de São João do Oeste, onde ficou por três dias. Exames laboratoriais confirmaram ser um caso de dengue importado (contraído fora do estado).
Vacina contra os quatro tipos de dengue estará pronta em até cinco anos
Cientistas esperam que a população brasileira possa, daqui a cinco anos, ser imunizada contra os quatro tipos de vírus da dengue. Três pesquisas acenam com a possibilidade de criação de vacinas contra os quatro tipos de dengue no Brasil, que poderão ser usadas no programa de imunização do Ministério da Saúde.
O desenvolvimento das vacinas segue critérios internacionais de homologação de produtos farmacêuticos para uso humano, com três fases de testes de segurança e eficácia comprovada em amostras consecutivas.
A pesquisa mais adiantada é a do laboratório francês Sanofi Pasteur, que está na segunda fase de estudos clínicos. Os testes ocorrem no Brasil, Peru, na Colômbia, em Honduras, no México, em Porto Rico, Cingapura, nas Filipinas, na Tailândia e no Vietnã. Em todo mundo, mais de 4 mil pessoas receberam uma ou mais doses da vacina.
No Brasil, o estudo clínico é feito desde agosto do ano passado pelo Núcleo de Doenças Infectocontagiosas da Universidade Federal do Espírito Santo, com um grupo de 150 crianças e adolescentes de 9 a 16 anos.
A vacina em teste é ministrada em três doses e o estudo tem a duração de 18 meses. A perspectiva da comunidade científica é que a vacina esteja disponível daqui a cinco anos, após registro na Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).

