A Nvidia encerrou 2025 com 92% de participação no mercado global de GPUs discretas, mesmo após enfrentar um dos lançamentos mais turbulentos de sua história recente. A estreia da arquitetura Blackwell, com a série RTX 5000, foi marcada por escassez de produtos, falhas de hardware e instabilidade de drivers, mas não impediu a empresa de consolidar seu domínio no setor.
Segundo dados da Jon Peddie Research, a participação foi registrada no terceiro trimestre de 2025, reforçando a posição quase hegemônica da fabricante no mercado de placas de vídeo para jogos.
Lançamento problemático da linha RTX 5000
Apresentada na CES 2025, em janeiro, a família Blackwell rapidamente enfrentou dificuldades de disponibilidade. Os modelos RTX 5090 e RTX 5080 tiveram estoques extremamente limitados, levando varejistas a adotar sistemas de sorteio para definir quem poderia comprar as placas.
A Nvidia rebateu críticas de que o lançamento teria sido um “lançamento de papel”, quando produtos são anunciados sem volume real de vendas, mas a falta de unidades marcou negativamente os primeiros meses da nova geração.
Defeitos de hardware e instabilidade de drivers
Além da escassez, parte dos consumidores enfrentou problemas técnicos relevantes. Em fevereiro, a própria Nvidia confirmou que cerca de 0,5% das unidades das RTX 5090, 5080 e 5070 Ti foram enviadas sem os ROPs (Raster Operations Pipelines), falha no nível do chip que pode reduzir o desempenho em jogos em até 11% em alguns títulos.
A empresa ofereceu substituição das placas afetadas, mas o processo foi dificultado pela baixa disponibilidade de novos produtos.
Os problemas se estenderam ao software. Usuários relataram telas pretas, travamentos frequentes e falhas no reconhecimento das GPUs pelo sistema. Ao longo do ano, a Nvidia lançou uma série de correções emergenciais, o que aumentou a cautela da comunidade gamer em relação a novos drivers GeForce.
Domínio sustentado pela IA e pelo DLSS 4
Apesar das controvérsias, o desempenho financeiro da Nvidia foi impulsionado principalmente pelo crescimento do mercado de chips para inteligência artificial. Em outubro, a empresa se tornou a primeira companhia de capital aberto a atingir US$ 5 trilhões em valor de mercado.
No segmento de jogos, a recuperação foi atribuída em grande parte ao DLSS 4, tecnologia de upscaling com IA e geração de múltiplos quadros. O recurso foi descrito por analistas como um divisor de águas, elevando qualidade de imagem e taxas de quadros mesmo em cenários de hardware mais limitado.
Em novembro, as GPUs Blackwell já representavam cerca de 7,5% da base instalada de PCs gamers na Steam.
Críticas sobre foco excessivo em IA
Mesmo com os números expressivos, persistem dúvidas sobre o comprometimento da Nvidia com o público gamer. Rumores de redução na produção de placas GeForce em 2026 e a priorização de chips de IA reacenderam críticas.
Outro ponto sensível foi a quantidade de memória VRAM nos modelos intermediários. A RTX 5070, com 12 GB, e a RTX 5060, com apenas 8 GB, foram consideradas por analistas e jogadores como pouco preparadas para a longevidade exigida por jogos futuros.
Desafio para os próximos anos
Ao fechar 2025, a Nvidia combina domínio absoluto de mercado com questionamentos crescentes sobre equilíbrio entre inovação, estabilidade e atenção à base gamer que ajudou a construir sua reputação. O desafio para 2026 será manter a liderança sem repetir os erros que marcaram o lançamento da geração Blackwell.

