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O Brasil deu um passo importante na inclusão pelo ensino, neste mês de janeiro de 2026. Com a publicação da Portaria nº 7/2026 pelo Inep, no Diário Oficial da União, a educação brasileira resgata uma ferramenta poderosa de inclusão social: a possibilidade de utilizar o desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para a obtenção do certificado de conclusão da educação básica.
Mais do que uma simples mudança burocrática, a medida é um reconhecimento de que o conhecimento não reside apenas dentro das paredes de uma sala de aula convencional. Para milhares de brasileiros que precisaram interromper os estudos — seja para trabalhar, cuidar da família ou por falta de acesso — a nova regra abre, de imediato, as portas do ensino superior e do mercado de trabalho qualificado.
A justiça com a trajetória de vida
A exigência de ter 18 anos completos na data da prova garante que o programa atenda exatamente ao público da Educação de Jovens e Adultos (EJA), sem retirar as crianças e jovens da sala de aula do ensino regular. O Enem deixa de servir como um vestibular de acesso ao ensino superior para se tornar uma ferramenta de validação de competências.
Ao exigir 450 pontos em cada área do conhecimento e 500 pontos na redação, o Inep mantém um mínimo de rigor necessário para garantir que o certificado tenha valor real. Não se trata de um “atalho facilitado”, mas de um caminho alternativo para quem demonstra maturidade e domínio das disciplinas essenciais.
A inteligência da “declaração parcial”
Um dos pontos mais humanos e inteligentes da nova portaria é o reforço da declaração parcial de proficiência. Em modelos educacionais antigos, o “tudo ou nada” costumava desestimular o aluno que, porventura, tivesse dificuldade em uma área específica, como a Matemática.
Agora, se o estudante atingir a nota em Ciências Humanas e Linguagens, mas não em Exatas, ele já garante o documento de proficiência parcial. Isso evita o sentimento de “voltar à estaca zero”. O conhecimento conquistado é respeitado e acumulado, permitindo que o aluno foque apenas no que falta para a sua formação completa. É um sistema que celebra o progresso em vez de punir a falha pontual.
Impacto no futuro do país
Ao facilitar a regularização da vida escolar, na educação básica, o governo fortalece não apenas o indivíduo, mas toda a economia. Um cidadão com ensino médio completo tem acesso a cursos técnicos, concursos públicos, faculdades e universidades. As redes públicas, com Secretarias de Educação dos Estados e Institutos Federais, agora como órgãos certificadores, tornam-se pontos de apoio fundamentais nessa transição.
A revogação de normas anteriores e a implementação imediata desta portaria mostram agilidade em corrigir o fluxo educacional do país. É hora de encorajar cada brasileiro que parou pelo caminho a olhar para o Enem de 2026 não apenas como um exame, mas como o passaporte para uma nova etapa de vida.
A educação brasileira ganha fôlego quando remove barreiras. Que as portas das universidades estejam prontas: uma nova e resiliente geração de estudantes está prestes a brigar pelo ingresso.

