Por mais que o tempo passe, mesmo assim, o Brasil vai continuar lamentando a tragédia de Realengo, numa escola apenas de ensino médio. Fala-se em premeditação do assassino que, enfurecido, consumou o fato disparando tiros de revolver aleatoriamente. Na ótica de analistas, a chacina dos estudantes poderia ser evitada se houvesse maior rigor no sistema de segurança do educandário. Muitos se perguntam ainda em todos os lugares, o que levou de extraordinário este jovem, aparentemente sadio, a cometer uma atrocidade tão grande que chegou a chocar até mesmo os mais impuros de espírito e céticos de amor.
Vendo tudo em detalhes pela televisão, ouvindo, lendo os jornais e discutindo com as pessoas há época, não há inteligência humana que consegue encontrar uma pontinha de explicação ou raciocínio, acredita-se piamente não existir, que conduziu o criminoso, sangue-frio, a cometer o feito bárbaro na escola do Rio de Janeiro. Meninos e meninas que estavam começando a caminhada tiveram a vida melancolicamente interrompida por um maluco-suicida. Mas quem era este desequilibrado que andava à solta por aí sem ser importunado por ninguém? De comportamento normal logicamente que não seria!
Talvez, como ele, exista em qualquer parte do país milhares de Wellingtons da vida, ou melhor, da morte, arquitetando tais desatinos em colégios ou qualquer aglomeração humana. Comenta-se que o rapaz era perseguido por atos de violência física e psicológica, o bullying. Apesar disso, jamais justifica a atitude. Sem sombra de dúvida, este foi um acontecimento que ficará na história, sendo que a maioria das pessoas vai querer esquecer rapidamente o triste episódio, porquanto permanecerá eternizado na memória dos familiares.
Ainda que o tempo decorra ligeiramente, por tal razão, a ferida ficará aberta no seio da sociedade, para por a vista o valor pessoal e colocar em alerta o perigo que ronda por toda parte deste indefinível e desigual país. Na verdade, debater um tema que já passou não é nenhuma redundância, até porque casos como este, lamentavelmente, ocorrem em pequena proporção, sim, mas com muita frequência no Brasil. A morte do estudante no estacionamento do campus da USP, por exemplo, revela claramente a instabilidade de um local onde deveria ser de máxima segurança para educandos e educadores.
Levantamento feito recentemente aponta quão é a instabilidade no sistema de proteção nos estabelecimentos de ensino, em todos os níveis. Nas ruas, é ainda pior, não existe garantia, todos correm risco de ataque inesperado. O estado emocional das pessoas é resultante da consciência de perigo ou ameaça constante. Ninguém anda mais tranquilo como outrora, todos caminham desconfiados com medo de serem vítimas dos grupos de delinquentes que vagueiam de um lado para o outro cometendo violação leve ou muito grave de ordem moral ou física sem ter maioria deles a punição merecida.
As drogas, de algumas décadas para cá, têm sido as causas principais do descaminho de boa parte da juventude, sendo que existem até locais de concentração de usuários crônicos de entorpecentes, pasmem, com conhecimento dos homens da lei, os quais deveriam coibir veementemente. Isto acontece em toda a Amurel. Em Tubarão, os pontos de comercialização e uso de produtos alucinógenos são conhecidos das autoridades. Mas pouco ou quase nada vem sendo feito para extinguir este mal destruidor de famílias. Tentam tapar sol com a peneira, como se diz na gíria, com incursões esporádicas. Alegam falta de material humano. Em suma, estrategicamente está faltando mesmo é vontade política dos governantes. Só pra se ter ideia, o 63º Batalhão de Infantaria localiza-se no bairro Passagem, não muito distante da maior boca de fumo e transação de outras drogas da Cidade Azul, a Área Verde.
O que se custa entender é que grupos de soldados da 3ª Cia, vez por outra, empreendem ação de reordenação pública e humanitária (pacificação) fora daqui e até do país, numa demonstração equivocada de que lá há necessidade, aqui não. O certo é que, o exército nas ruas não precisa nem estar armado, a simples presença já impõe respeito. Minha intenção, com a abordagem desta matéria é alertar as autoridades e a população num todo, que a inércia e o esquecimento para o caso em discussão, não podem ficar a base de concessão de uma graça divina, sobretudo de uma ação efetiva e eficaz de órgãos que compõem os setores da segurança publica e de todo contexto social.

