segunda-feira, 26 janeiro , 2026

O nascimento em tempos de pandemia…

Quando uma mulher descobre que será mãe, tudo muda! No período da gestação, as emoções ficam mais fortes diante de tanta sensibilidade, transformações, expectativa, alegria, dúvidas, e medo também pela chegada do grande dia – enfim, um misto de sentimentos.

E quando essa situação tão desejada ocorre em um período em que o mundo também mudou? O coronavírus não ignorou as grávidas, que foram pegas de surpresa, assim como todos; mas em dose dupla. Afinal, uma doença nova, desconhecida.

No caso de Vanessa Aparecida De Pieri, 39 anos, de Tubarão, ainda havia muita ansiedade fora desse contexto: a grande vontade de ser mãe pela primeira vez, já que na primeira tentativa não deu certo.

“Eu estava com cinco meses de gravidez quando surgiu a pandemia. No início pensei que não era aquilo tudo, uma doença nova, mais de fora, de outros países, não dei muita atenção. Minha preocupação naquele momento, meu foco, era somente com minha gestação, já que tinha sofrido um aborto há três anos. A lembrança e a possibilidade de isso ocorrer novamente era o que eu combatia”, conta Vanessa.

A mamãe de primeira viagem trabalha no setor de faturamento em uma empresa em Tubarão, ainda em um serviço de atendimento ao público. Quando as grávidas foram incluídas no grupo de risco, a ordem veio da direção. “Meus patrões me avisaram, me afastei do trabalho, assim como meus colegas. Mas os funcionários ficaram em casa 15 dias, eu permaneci isolada. Foi quando caí na realidade, era algo grave, tinha que me cuidar, o vírus se alastrando, o uso de máscaras, as medidas de higiene, então comecei a ficar realmente preocupada”.

 

Papai Rafael e mamãe Vanessa após o nascimento. Momento mágico!

Transformação da rotina na família

A partir daí, os hábitos mudaram e passaram a ser seguidos rigorosamente pela família. “No início fiquei assustado, quando a firma mandou ela ficar em casa, foi tudo de repente, mas também tranquilo porque ela ficaria isolada”, conta o papai Rafael Andrade.

Vanessa se cuidava muito, somente saía em casos de extrema necessidade, e quando precisava tomava todas as precauções. O marido ficava com receio e assumiu completamente essa parte.

Mas quando ele retornava da rua, virou ‘lei’. “A prioridade era, antes de tudo, ir direto em uma área que temos do lado de fora da casa, se livrar das roupas que eu vestia e o calçado, tomar banho e fazer todo o processo de higienização antes de qualquer contato com ela”.

 

Mudanças na consulta

Na consulta de rotina no Pré-Natal, realizado desde o início da gravidez, também já foi diferente. “Naquele dia a situação estava bem caótica quanto à pandemia. Minha ginecologista obstetra já não deixou meu marido entrar, porque já era uma política da própria Clínica. A mais importante orientação dada foi o isolamento social”, lembra Vanessa.

A médica a tranquilizou e lhe explicou que era tudo questão do cuidado em todas as medidas de prevenção, se o casal e as pessoas que estavam próximas seguissem corretamente as orientações, não haveria problema.

 

A surpresa da chegada antecipada

O tão aguardado filho não quis esperar! Apressadinho, nasceu prematuro. “Naquela semana fiquei muito nervosa porque sabia que estava perto de ganhar e a bolsa estourou durante a madrugada. Meu filho nasceu no último dia 3 de maio. No início não tive dilatação, tentaram até induzir o parto normal, mas partimos para uma cesárea”, emociona-se.

Com o nascimento prematuro, o pequeno foi direto para a UTI Neonatal do HNSC, onde ficou dois dias no oxigênio. Tinha um problema de respiração, insuficiência. Após isso foi para o quarto e ficou mais cinco dias com a mamãe. “Eu chorava dia e noite, acordava na madrugada, 1h, e ficava com ele até as 4h. Foi terrível, dói muito, estava com uma sondinha, que ia do nariz até o estômago, eu não tinha leite e tinha que dar do banco do hospital”.

 

O coronavírus e os sete dias no hospital

Vanessa afirma que nos sete dias que ficou no hospital, a preocupação com o coronavírus não havia. “Na verdade, eu não pensava nisso e ninguém comentava nada, em momento algum. O corredor da maternidade não tem acesso a outros setores – éramos proibidas de andar pelo restante do hospital, como também as visitas impedidas, não era permitido duas pessoas ficarem no quarto”.

 

Preocupação dos pais aumentou após o nascimento

No entanto, após o nascimento do bebê, que ganhou o nome Pedro De Pieri Andrade, a preocupação com a pandemia aumentou. “Agora fico muito mais apreensiva, tenho mais aflição e problemas, minha família é muito grande, e tenho muitos amigos. Todos querem conhecer o Pedro. Minha sogra, irmãos, mãe, mas tudo com máscaras e usando álcool gel”, avisa a mamãe.

Conforme Vanessa, não há como controlar a situação. “Também recebi amigos e tudo ficou mais delicado e preocupante. Acabam tirando a máscara, outros não a usavam na visita e mudei de estratégia. Não podemos nos arriscar. Fui passar recentemente uns dias na casa de minha mãe, que mora no interior, e lá conseguimos ficar mais isolados, com um acesso mais restrito”.

“Continuo com todas as medidas e ainda mais atento. Faço todo o processo de higienização quando chego da rua antes de pegá-lo no colo. Temos que nos cuidar para não contrair esse vírus e transmitir a doença. E assim vamos vivendo, essa é a nossa nova vida, até que tudo isso acabe e fique para trás”, afirma o papai ‘babão’.

 

“Ele foi muito desejado”

Pedro, hoje (21) com 18 dias, nasceu com 47,6 centímetros e 2,905 quilos. “Ele foi muito desejado. Quero para ele, primeiro muita saúde, amor, paz, tranquilidade, que seja uma criança e se torne um adulto feliz, do bem, enfim tudo que uma mãe deseja para um filho, que é o seu amor maior”, ressalta Vanessa.

Ela pensa no futuro e espera que seu filho viva em um tempo onde a medicina esteja preparada e avançada para combater as possíveis doenças que possam surgir.
Pedro veio num mundo diferente, mas cercado de amor e proteção da família. Uma nova vida, um novo sentido e esperança de dias melhores…

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