Um possível governo Temer, até 2018, significa traição ao protagonismo e à vontade manifesta da maioria da população brasileira. O povo foi decisivo para a aprovação do impeachment da presidente Dilma na Câmara e quer eleger o sucessor dela. Vejamos:
1) A Câmara dos Deputados, desmoralizada pelos seus 303 membros envolvidos em algum crime, segundo a ONG Transparência Brasil, não o faria, sem o respaldo popular. 2) O deflagrador do processo, deputado Eduardo Cunha, muito mais mal visto perante a opinião pública, que a própria Dilma, não mobilizaria público para tal. Ele somente deflagrou (já havido negado 12 pedidos) quando viu negados os votos do PT para livrá-lo de investigação na Câmara por quebra de decoro (afirmou em CPI que não tem dinheiro na Suíça, mas autoridades suecas provaram, com documentos, que ele tem) e é investigado pela Operação Lava Jato como recebedor de milionárias propinas;
3) ‘Pedaladas fiscais’, motivo alegado no processo contra Dilma e crise econômica, longe dos bolsos, na época, também não mobilizavam a população. 4) Foi preciso maior aperto financeiro – facilitado pela estratégia da oposição de não votar as medidas de ajuste fiscal – e as bombásticas revelações da Lava Jato (legais e ilegais), para que o povo tomasse as ruas. 5) Mas, 60% deste povo, que deu legitimidade para cassar Dilma, na Câmara, disse, por meio de pesquisa Datafolha (10/04/2016), que quer a renúncia de Temer e 79% afirmou que, em caso da saída de ambos, quer eleger o próximo presidente da república.
Portanto, governo Temer, até 2018, por constituir traição ao protagonismo e à vontade manifesta da maioria, torna-se tão ou mais ilegítimo que o governo Dilma. Ficará evidente que o povo foi usado, outra vez, para tomada do poder, mas escanteado na escolha do dirigente, que deveria ser feito por meio de eleições diretas. É oportuno lembrar que, pela pesquisa acima mencionada, Temer tem apenas 1% das intenções de voto para a presidência da república.
Tal manobra arranhará, ainda mais, a credibilidade dos políticos e dificultará a adesão dos diversos setores da sociedade para formação do decantado governo de ‘salvação nacional’. Se quiserem sintonia com a maioria dos brasileiros, devem os deputados e senadores investigar as contas da campanha Dilma/Temer ou respaldar processo em curso no TSE e, se comprovar dinheiro de propina – já mencionado em diversas delações premiadas -, cassar a mencionada chapa e convocar eleições diretas para presidente em outubro próximo (tese de Marina Silva).
Aliás, os principais grupos representados no novo eixo de poder no Brasil, também, não têm estatura moral (que o diga a Lava Jato) e projeto de governo. Todos têm, apenas, projeto de poder. Mas “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”, de acordo com a Constituição Federal. Cabe ao povo escolher melhor quem vai representá-lo.

