Laguna
Imagine trabalhar em obras de saneamento, nas escavações, e encontrar uma âncora de navio, ainda com correntes, enterrada? Foi exatamente isso que ocorreu onde era o antigo cais, em Laguna. Outros objetos também foram descobertos, como garrafas de vinho, pedaços de cerâmicas, cacos de xícaras e pires. Isto é um ‘prato cheio’ para quem atua nesta área e aos admiradores da arte histórica.
A âncora é do tipo almirantado – de ferro com mais de dois metros de altura – e muito utilizada por marinheiros entre os séculos 17 e 20. Nesta semana, valas são abertas na avenida Colombo Machado Salles, nas margens da lagoa Santo Antônio dos Anjos.
No Centro Histórico, com 600 edificações tombadas, em cada escavação podem surgir novas histórias. O trabalho é acompanhado por arqueólogos e técnicos.
O arqueólogo Alexandro Demathe lembra que a margem da lagoa avançava mais para dentro da cidade e os barcos que transportavam mercadorias do porto pertenciam ao cotidiano da vida da colônia da cidade. Entre um desembarque e outro, eles se desfaziam dos objetos. Até mesmo a população usava a lagoa para o descarte, o que os pesquisadores denominam de sítio depositário.
Na região também passava a antiga ferrovia para o embarque de carvão. Na rua Raulino Horn, uma das mais antigas, foram encontradas ossadas de animais e fragmentos de utensílios domésticos. Com o cuidado redobrado, homens abrem o caminhos para a rede de tratamento de esgoto.
A obra
Duas estações elevatórias são construídas – uma perto do Mercado Público e outra na rodoviária. O trabalho integra a parte final da obra de saneamento, prevista para ficar pronta até novembro. Os bairros Portinho, Progresso, Esperança, Magalhães, Vila Vitória e parte do Mar Grosso são beneficiados com o complexo de tratamento biológico de esgoto. A obra integra o PAC do Saneamento com um investimento de R$ 36 milhões do governo federal e da Casan. São 6.637 mil ligações domiciliares integradas por redes coletoras e estações elevatórias.

