quinta-feira, 16 julho , 2026

Operação Barbacena desarticula clínicas clandestinas de reabilitação em Imbituba

A Polícia Civil de Imbituba deflagrou, na madrugada desta terça-feira (2), a operação Barbacena, que investiga um esquema criminoso envolvendo clínicas clandestinas de reabilitação que realizavam internações irregulares e submetiam pacientes a maus-tratos. A ação cumpre mandados de busca, apreensão, prisão preventiva e bloqueio de bens dos proprietários.

Inquérito teve início após relatos de pacientes

O inquérito foi instaurado no começo de outubro, quando policiais civis acompanharam uma fiscalização da Prefeitura de Imbituba e receberam relatos de internos mantidos contra a vontade em uma das unidades da clínica.

Segundo a investigação, indivíduos vestidos de preto — por vezes identificando-se como policiais — abordavam as vítimas, usando ameaças, força física e até medicação forçada para conduzi-las às clínicas.

Pacientes eram impedidos de sair e sofriam agressões

As apurações apontam que os internos:

  • tinham a saída voluntária negada;

  • recebiam sedativos de forma irregular;

  • eram submetidos a agressões físicas e contenções;

  • tinham alimentação insuficiente;

  • eram medicados por outros internos, chamados “apoios”, sem acompanhamento profissional.

Um relatório da Vigilância Sanitária de Imbituba confirmou irregularidades como falta de alimentos, ausência de higiene adequada, descontrole de medicamentos e inexistência de registros dos pacientes.

Esquema operava em várias cidades

A investigação identificou um esquema de agenciamento que envolvia a contratação de serviços de “remoção” de pacientes e distribuição entre clínicas vinculadas ao grupo, localizadas em Imbituba, Itapema, Garopaba e Itapoá.

Quando alguma unidade era alvo de denúncias, os internos eram transferidos para outra clínica da mesma organização, dificultando a fiscalização.

Mensalidades, remoções e vida de luxo

Os familiares pagavam cerca de R$ 3 mil por mês pela internação. Já os serviços de remoção chegavam a R$ 5 mil.

Os investigados mantinham padrão de vida alto, com carros importados e imóveis de luxo. Dois deles já respondiam a processo por sequestro relacionado às remoções e estavam em liberdade provisória, proibidos de realizar esse tipo de atividade.

Nome da operação remete ao Hospital Colônia de Barbacena

A operação recebeu o nome em referência ao Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, símbolo histórico de graves violações de direitos humanos no país e conhecido como “Holocausto Brasileiro”.

Prisão, bloqueio de bens e foragidos

Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Garopaba, Itapema, Balneário Camboriú e Porto Alegre (RS). O Judiciário determinou ainda o bloqueio de valores, veículos e imóveis que somam mais de R$ 1 milhão.

Um dos investigados, proprietário de uma das clínicas, teve a prisão preventiva cumprida em Porto Alegre. Outros dois permanecem foragidos.

As diligências continuam com apoio de unidades da Polícia Civil de Santa Catarina, Polícia Civil do Rio Grande do Sul e Polícia Militar catarinense.

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