quarta-feira, 17 junho , 2026

Operação Blind Eye investiga fraude de mais de R$ 330 mil contra instituição de ensino em SC

FOTOS MPSC/PCSC Divulgação Notisul

Tempo de leitura: 4 minutos

Na manhã desta quinta-feira (15), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), deflagrou a Operação Blind Eye, com o objetivo de desarticular a logística financeira de um esquema criminoso que desviou mais de R$ 330 mil de uma instituição de ensino superior sediada em Santa Catarina.

A operação é conduzida pelo CyberGAECO, em conjunto com a Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Chapecó.Operação Blind Eye apura fraude de R$ 330 mil contra universidade

Mandados em dois estados

Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos estados de Goiás e do Rio Grande do Sul. A ação tem como foco seis investigados apontados como peças centrais na recepção e dispersão dos valores desviados, atuando como “laranjas conscientes” em uma sofisticada fraude financeira.

Além das buscas, a Vara Regional de Garantias da Comarca de Chapecó autorizou a quebra dos sigilos bancário e telemático dos investigados. As medidas permitiram o rastreamento detalhado das contas utilizadas para pulverizar os valores, prática comum em esquemas de lavagem de dinheiro para dificultar a identificação da origem ilícita.

Esquema usou malware bancário e transferências rápidas

A investigação apurou que o crime foi viabilizado por meio de malwares bancários de alto nível. Os criminosos obtiveram credenciais de acesso de uma funcionária da instituição de ensino e, em uma ação planejada para ocorrer de forma quase instantânea, realizaram transferências via Pix, TED e pagamentos de boletos.

O prejuízo total chegou a R$ 339.930,00. Para dificultar o rastreamento, os autores utilizaram infraestrutura internacional, incluindo redes privadas virtuais (VPNs) com servidores localizados na Holanda.

Apesar da sofisticação do ataque, a análise financeira e telemática conseguiu mapear o destino de cada parcela do dinheiro, identificando contas bancárias abertas especificamente para receber e movimentar os valores desviados.

Investigação foca em “laranjas conscientes”

Segundo o GAECO, o foco desta fase da operação é a responsabilização dos titulares das contas bancárias usadas no esquema. A investigação aponta que essas pessoas não tiveram seus dados utilizados de forma indevida, mas participaram ativamente da fraude.

Em troca de vantagens financeiras, os investigados teriam cedido deliberadamente suas informações pessoais para viabilizar a movimentação do dinheiro ilícito, assumindo o papel de facilitadores do crime.

Significado do nome Blind Eye

O nome da operação faz referência à Teoria da Cegueira Deliberada. O conceito descreve a conduta de indivíduos que, mesmo diante de indícios claros de ilegalidade, optam por “fechar os olhos” para a origem do dinheiro, motivados pela perspectiva de lucro fácil.

De acordo com o Ministério Público, esse comportamento é recorrente em crimes cibernéticos e esquemas de lavagem de dinheiro.

Próximos passos da investigação

Durante a operação, o GAECO contou com o apoio do GAECO do Goiás, além das Polícias Civis do Rio Grande do Sul e de Goiás, da ROTAM e da Polícia Militar de Goiás.

Os materiais apreendidos serão encaminhados à Polícia Científica, que ficará responsável pelos exames periciais. As evidências serão analisadas pelo CyberGAECO e pela Polícia Civil para identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração da extensão da rede criminosa.

As investigações seguem sob sigilo. Novas informações poderão ser divulgadas após a publicidade dos autos.

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